Por Marina Sequinel e Juliano Cunha

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Napoleão atirou em Paola e, em seguida, disparou contra o próprio maxilar. (Foto: Juliano Cunha – Banda B)

O policial civil que matou a namorada no Alto da XV, em Curitiba, nesta quinta-feira (24), já brigou pelo menos duas vezes, segundo Boletins de Ocorrência registrados contra ele. Napoleão Seki Junior, de 36 anos, discutiu com vizinhos e chegou a se envolver em uma briga de bar em São Paulo, onde teria usado a arma da corporação.

De acordo com o delegado-chefe de Investigação da Polícia Civil, Luiz Cartaxo Moura, na segunda ocasião, Seki arrumou confusão com os seguranças de uma boate. “Esses casos estão registrados, mas não foram comprovados. Justamente por isso, a arma não foi retirada dele”, disse o delegado em entrevista nesta sexta-feira (25).

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Delegado afirmou que não houve falha em avaliação psicológica de policial. (Foto: Juliano Cunha – Banda B)

Exames comprovaram que o revólver utilizado pelo policial para matar Paola Cardoso, de 23 anos, foi o da corporação. Apesar do histórico de Seki, Moura não acredita em falha na avaliação psicológica, realizada há três anos. “Naquele momento, o trabalho psicossocial foi feito com todos os procedimentos corretos. Garanto que se algo errado tivesse sido apurado, Napoleão não teria passado nos exames. Se, de lá para cá, ele não demonstrou instabilidade, como poderíamos saber que agora ele faria uma coisa dessa natureza?”, questionou ele.

O policial está internado em uma casa hospitalar sob guarda, devido a tentativa de suicídio após o assassinato. Ele passou por uma cirurgia e deve ficar cego de um olho. Segundo a Polícia Civil, por ser formado em Direito, Seki trabalhava no Núcleo Jurídico da Secretaria de Segurança Pública (Sesp-PR).

Caso ele se sobreviva, vai responder por processo administrativo e criminal. Ele já está preso em flagrante, e após a recuperação, vai ser encaminhado para a delegacia. “Esse crime prejudica sim a imagem da Polícia, mas o que nós precisamos fazer agora é aprimorar as nossas condutas e melhorar a estrutura para controlar os comportamentos instáveis de nossos trabalhadores”, concluiu o delegado.

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