Ouça o áudio

O advogado criminalista Elias Mattar Assad, que atua na defesa da médica Virgínia Helena Soares de Souza, acusada pelo Núcleo de Repressão aos Crimes Contra a Saúde (Nucrisa) da Polícia Civil de comandar um esquema de mortes na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Evangélico, divulgou à Banda B, nesta sexta-feira (1°), o áudio em que a sua cliente diz: “Estamos com a cabeça livre para raciocinar, né?”. A polêmica sobre a declaração foi levantada porque a prisão preventiva dos médicos foi decretada quando no inquérito policial este trecho era descrito da seguinte forma. “Estamos com a cabeça livre para assassinar, né?”. (Ouça o áudio no ícone acima)

Para Assad, esta denúncia é gravíssima e este equívoco induziu a justiça ao erro. “Por conta deste erro demonizaram pessoas e denegriram imagens de médicos. Por isso fomos à justiça pedir a ilicitude deste inquérito policial. Agora quando eles assumiram o erro todo mundo já estava preso. O que eles deviam é pedir desculpa para estes médicos que estão sendo demonizados”, descreveu o advogado à Banda B.

De acordo com o criminalista, a prisão se baseou neste erro e por isso tem que ser cancelada. “Qualquer pessoa sentada em uma mesa tomaria a atitude deste juiz que decretou a prisão ao ver uma declaração que não existe. Quero ver o que o Tribunal do Paraná vai falar sobre esta montagem chamada de inquérito policial”, protestou.

Por sua vez, a Polícia Civil critica Assad e diz que a prisão de Virgínia se baseou em investigações e não apenas em um verbo.

Outro erro da polícia

Assad também trouxe à tona outro possível erro da Polícia Civil. Segundo o advogado, o Nucrisa levou prontuários do hospital sem deixar cópias.

“Isto é inconcebível. A prova contida nos prontuários foi contaminada pela falta de técnica de apreensão. Deveriam as autoridades no momento da apreensão terem extraído cópias para o inquérito deixando os originais ou ao menos deixando cópias dos prontuários no mesmo ato”, protestou.

Para Assad, com esta atitude a defesa não tem mais como confrontar os prontuários com os originais e nem como saber se foram alterados tais documentos pela polícia.