A defesa da médica Virgínia Helena Soares de Souza protesta contra um suposto abuso da autoridade policial no caso das mortes de pacientes da Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Evangélico. A acusação de o advogado Elias Matar Assad é que nos últimos três dias dois pedidos de ordem judicial obrigando a delegada do Núcleo de Repressão aos Crimes contra a Saúde (Nucrisa), Paula Christiane Brisola,a fornecer cópias de todo o conteúdo do Inquérito Policial não foram cumpridos.

Foram pedidas pela defesa cópias dos prontuários médicos das supostas vítimas e as mídias contendo as interceptações telefônicas. O primeiro pedido negado foi na sexta e o segundo no sábado, sob a desculpa da delegada de que estaria “fora do expediente”, embora, de acordo com Assad, ela estava dentro da delegacia fazendo investigações sobre o caso.

Uma terceira ordem judicial da defesa foi pedida junto ao Ministério Público para que, em 24 horas, a partir das 16h deste domingo, o inquérito policial seja colocado à disposição da defesa. “Não está provada sequer a existência do fato criminoso, pois não há prova científica de que as mortes tenham causas diferentes das constantes das certidões de óbito e de laudos do Instituto Médico Legal. Por este motivo o inquérito não está sendo liberado” disse Assad.

Mais prisões

No último sábado, policiais do Nucrisa cumpriram desde as 6 horas quatro mandados de prisão de três médicos e um enfermeiro do Hospital Evangélico de Curitiba. Todos são suspeitos de facilitar a morte de pacientes da UTI, ao lado da médica Virginia Helena Soares de Souza, presa desde a última terça-feira (19).

Até as 8 horas, dois médicos do serviço de anestesiologia já haviam sido presos. O primeiro mandado cumprido foi o da médica Maria Israela Cortez Boccato, que estava afastada do hospital há mais de um ano por problemas referentes ao salário. Ela foi levada ao Centro de Triagem I.