Da BBC Brasil

Além do devastador impacto humano, a epidemia do vírus ebola, que já matou mais de 1,3 mil pessoas na África Ocidental, também afeta as economias dos países atingidos.

Guiné, Libéria e Serra Leoa, os focos do surto, já são três países pobres da região, cuja situação pode piorar com o avanço da doença.

Serra Leoa e Libéria enfrentaram sangrentas guerras civis e conseguiram reconstruir suas economias.

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(Foto: Getty Images)

Já a Guiné tenta reanimar seu setor de mineração, que antes do conflito era responsável por mais da metade das receitas de exportação.

Há temores de que todos estes avanços estejam sob ameaça, e que a pobreza generalizada possa levar a um aumento da criminalidade. Os efeitos já começam a ser sentidos.

Serra Leoa ‘de joelhos’

“Nossa economia vai se desinflar 30%” por causa do ebola, disse à BBC o ministro da Agricultura, Joseph Sam Sesay.

“O setor agrícola é o mais afetado porque a maioria da população de Serra Leoa – cerca de 66% – é de agricultores”, afirmou.

Doze dos 13 distritos de Serra Leoa foram afetados pelo ebola, embora o epicentro esteja na Província Oriental, perto da fronteira com a Libéria e a Guiné.

Bloqueios de estradas operados por policiais e soldados impedem o movimento de agricultores e trabalhadores e o fornecimento de mercadorias.

“Nós estamos definitivamente esperando um efeito devastador, não só na disponibilidade e capacidade de trabalho, mas também em termos de fazendas sendo abandonadas por pessoas fugindo dos epicentros e indo para áreas que não têm a doença”, disse Sesay.

O coordenador-chefe do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), David McLachlan-Karr, reconheceu que a agricultura em Serra Leoa está “de joelhos”.

“Nós estamos entrando na temporada de plantio, o que significa que grande parte da agricultura não está acontecendo. No final, isso resultará na falta de alimentos e pressões sobre os preços de alimentos”, disse.

“Estamos começando a ver alta da inflação, pressão sobre a moeda nacional e escassez de moeda estrangeira”.

Apesar disso, ele acredita que os bloqueios nas estradas são cruciais para conter o surto.