Por Marina Sequinel

Secretário participou do Jornal Banda B 2ª Edição. (Foto: Reprodução)

Filas gigantescas, demora no atendimento, falta de médicos e remédios. Essa é a realidade de muitos postos e Unidades de Pronto Atendimento (UPA) de Curitiba, segundo reclamações diárias enviadas por ouvintes e leitores à Banda B. Para fazer um ‘raio x’ dos primeiros meses da gestão do prefeito Rafael Greca (PMN) na área, o radialista Geovane Barreiro recebeu, durante o Jornal 2ª Edição, o secretário Municipal de Saúde João Carlos Gonçalves Baracho.

Em entrevista realizada nesta quinta-feira (6), ele explicou que a administração pretende criar um plano de “atenção primária” nos postos, locais que “perderam o crédito” da população com o tempo, segundo o secretário. “Nas gestões anteriores, esses lugares deixaram lacunas para os pacientes, que passaram a frequentar apenas as UPAs. Um levantamento mostrou que 70% dos casos dessas unidades não deveriam estar lá. Criou-se uma expectativa de que tudo se resolve em UPA, mas esse é um grande erro de análise”, afirmou.

De acordo com ele, a falta de insumos e falhas no atendimento são resultado de um déficit de R$ 233 milhões na área da saúde, deixadas pela administração passada. Para resolver os problemas, a prefeitura planeja várias ações, segundo o secretário. Confira abaixo alguns pontos discutidos na entrevista:

Postos sem medicamentos

Baracho admitiu a falta de remédios em algumas unidades da cidade. “Nós acolhemos todas as críticas, mas a população precisa entender que, quando iniciamos, tínhamos uma lista de 39 medicamentos praticamente zerados. Fizemos compras emergenciais, que levam um tempo para serem concluídas. Agora, a situação é variável, tem dias que temos 24 produtos faltando, tem dias que esse número cai para 20, mas infelizmente ainda não conseguimos atender toda a demanda”.

Como alternativa, a secretaria pretende traçar uma projeção de gastos e determinar um número de remédios que serão distribuídos, dentro do orçamento. “Diagnósticos foram feitos e, esse ano, teremos que lidar com o ajuste fiscal. O jeito será reinventar a saúde, sem prejudicar a população. O nosso compromisso é com a suficiência”.

Mutirões

Desde o começo do ano, segundo Baracho, cerca de 200 mil pessoas já foram atendidas pelos mutirões de consultas e exames na capital. “O número é bem significativo na radiologia, área onde o número caiu de 17 para 5 mil. Em relações às consultas, foram 2 mil pacientes beneficiados”, completou.

Os mutirões continuam a ser realizados pela prefeitura. Para saber mais, clique aqui.

Ação continuada

De acordo com o secretário, a “atenção primária” dos postos agirá em uma ação continuada, orientando a população a prevenir doenças. “A ideia é focar na manutenção da vida saudável, principalmente porque, em muitos casos, os problemas de saúde vêm dos desgastes das articulações, do sedentarismo e obesidade… As equipes dos postos e UPAs devem ser capacitadas para trabalhar nesse sentido e contribuir para a diminuição da demanda em saúde”.

Requalificação da fila

A prefeitura ainda pretende ‘requalificar’ as filas de atendimento. “Equipes por telefone ou nas casas vão agendar as consultas e o paciente irá até um hospital para uma primeira avaliação do estado clínico. Em seguida, ele já será encaminhado para exame ou cirurgia, sem necessidade de uma segunda fila”, explicou Baracho.

Confira abaixo a entrevista completa do secretário: