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Uma morte suspeita por leptospirose na Vila Torres, há duas semanas, mobilizou a comunidade que se reuniu na Conferência Local de Saúde do Capanema, realizada no sábado (22). Com a participação do diretor do Centro de Saúde Ambiental da Secretaria Municipal de Saúde, Luiz Armando Erthal, o Grupo de Integração – formado por lideranças e moradores da Vila Torres, organizou um encontro para discutir a leptospirose e combinar um conjunto de ações para a Prefeitura desenvolver em conjunto com a comunidade.

“Toda a sociedade deve se envolver na questão da leptospirose. É uma doença que atinge mais as pessoas da periferia, mas uma das causas está nos centros das cidades, no lixo reciclável que a comunidade não lava antes de jogar fora”, explica Erthal.

A Secretaria Municipal de Saúde (SMS) está preparada para atender aos pacientes com sintomas da leptospirose, doença transmitida por uma bactéria presente na urina de rato. Entre o público-alvo estão famílias que vivem em áreas de risco ou que estão expostas à contaminação em função do trabalho que realizam – como coletores de materiais recicláveis e trabalhadores da construção civil. Para se ter uma ideia, dos 141 óbitos por leptospirose registrados nos últimos três anos, 86% estavam relacionados ao trabalho das vítimas.

Só nos seis primeiros meses de 2013, 420 casos suspeitos em Curitiba foram notificados no Sinan (Sistema de Informação de Agravos de Notificação). Destes, 65 foram confirmados e dez vieram a óbito.

Os principais sintomas da leptospirose são a febre repentina, comumente acompanhada de dores de cabeça e nos músculos e icterícia (pele amarelada). “Os sintomas são confundidos com gripes e outras doenças virais, por isso é importante procurar o quanto antes a unidade de saúde, informando da possibilidade de contato com ratos e seu local de trabalho. Se detectada precocemente, a doença é fácil de ser curada”, ressalta Erthal.

Precauções

Andar calçado, não entrar em contato com água suja e inutilizar os alimentos contaminados são as principais precauções para evitar a proliferação da doença. Essas informações são sempre repassadas à população que vive em área de risco pelas equipes das unidades de saúde e agentes de zoonoses.

Segundo eles, se for inevitável o contato com a água suja, é importante a utilização de botas e luvas longas que podem ser improvisados com sacos plásticos fixados ao corpo. Também é importante não beber a água contaminada nem levar a mão molhada à boca ou aos olhos. Com isso, evita-se que a bactéria penetre por lesões – mesmo que imperceptíveis – existentes na pele ou nas mucosas. Isso porque o agente infeccioso é eliminado com a urina do rato, que se mistura à água do rio e se dissemina com facilidade.

Risco

Os moradores das áreas de risco são constantemente informados sobre a importância da limpeza da casa e da caixa d’água com hipoclorito de sódio ou água sanitária. Também é necessário o exame cuidadoso de cada cômodo, para detectar cobras e aranhas.

No trabalho de rotina, 15 técnicos visitam até 6 mil imóveis por mês. Cada residência é inspecionada três meses num período de 20 dias. O objetivo é avaliar a ação de controle de roedores.

Leptospirose

>> É uma doença infecciosa febril de início abrupto e que se caracteriza por ser um problema de saúde pública não só no Brasil, mas também em outros países tropicais;

>> Transmitida pela bactéria Leptospira, eliminada com a urina dos roedores. Também pode contaminar cães que, além de funcionarem como reservatório do agente infeccioso, podem adoecer e morrer por causa dele;

>> O período de incubação varia de um a 30 dias, sendo mais frequente ocorrer entre o 5º e o 14º dia;

>> Os sintomas clássicos são a febre repentina, comumente acompanhada de dores de cabeça e nos músculos (inclusive na panturrilha ou batata da perna), icterícia (pele amarelada);

>> A pessoa que apresentar esses sintomas deve procurar o serviço de saúde mais próximo o mais rápido possível;

>> O tratamento pode ser ambulatorial à base de medicamentos e acompanhamento diário para os casos leves. Nos casos graves, requer internamento hospitalar;

>> Os óbitos estão associados a alterações respiratórias, insuficiência renal e hemorragias.