Da AEN

O Paraná será o primeiro Estado brasileiro a oferecer, no sistema público de saúde, o dispositivo de assistência ventricular, conhecido popularmente como coração artificial, a pacientes que aguardam pelo transplante cardíaco. Na última semana, a Secretaria de Estado da Saúde disponibilizou R$ 1,4 milhão à Santa Casa de Misericórdia de Curitiba para a aquisição dos equipamentos. O hospital é responsável por metade dos transplantes de coração feitos no Estado.

Governador Beto Richa recebe a diretoria da Santa Casa de Misericórdia de Curitiba, que apresentou o Projeto Coração Artificial, aparelho que prolonga a vida de quem aguarda por um transplante cardíaco. Participaram do encontro, o secretário estadual da Saúde, Michele Caputo Neto, a coordenadora e cardiologista responsável pelo Programa de Transplante Cardíaco da Santa Casa, Dra. Lidia Zytynski Moura, o provedor da Santa Casa de Misericórdia de Curitiba, irmão Frederico Unterberger, o diretor geral da área de saúde do Grupo Marista, Alvaro Quintas e o superintendente de Unidades Hospitalares Próprias da Secretaria de Estado da Saúde, Charles London. Curitiba, 05/11/2015.Foto: Arnaldo Alves/ANPR

Modelo foi apresentado na reunião (Foto: Divulgação AEN)

Nesta quinta-feira (5), uma equipe da Santa Casa se reuniu com o governador Beto Richa no Palácio Iguaçu, em Curitiba, para apresentar o aparelho que prolonga a vida de quem aguarda por um transplante cardíaco. Dados da Central Estadual de Transplante mostram que 55% dos pacientes que estão na fila de espera por um coração morrem antes de serem submetidos à cirurgia, o que deve ser revertido com a utilização do coração artificial.

“O Paraná se mostra mais uma vez pioneiro no avanço da saúde pública, desta vez no cuidado com a vida de quem aguarda por uma cirurgia de transplante de coração”, afirmou Richa. “O Estado já disponibiliza todos os medicamentos necessários e se destaca na captação de órgãos. Agora, oferecerá um novo recurso para prolongar a vida dos pacientes que precisam passar por esse procedimento”, ressaltou.

“O Governo do Estado liberou o recurso para que este grande parceiro do sistema de saúde pública do Paraná, que é a Santa Casa de Curitiba, possa implantar este aparelho que irá salvar vidas”, destacou o secretário da Saúde, Michele Caputo Neto. “Com este dispositivo, teremos condição de dar uma sobrevida importante ao paciente enquanto buscamos ampliar a captação de órgãos”, afirmou.

Caputo ressaltou que este é um importante passo para o enfrentamento à insuficiência cardíaca, uma das doenças que mais cresce no Brasil. “O aparelho será para pacientes que já fizeram uso de medicamento, passaram por outras terapias e que agora terão mais essa alternativa. Ele não irá substituir um trabalho que já é feito, mas será mais um recurso para darmos mais possibilidade de vida aos pacientes”, complementou.

Espera

Em 2015, foram feitos 28 transplantes cardíacos no Estado, 15 deles na Santa Casa de Curitiba. De acordo com a Secretaria de Estado da Saúde, atualmente, 43 pacientes estão na lista de espera por um coração.

A cardiologista responsável pelo Programa de Transplante Cardíaco da Santa Casa de Curitiba, Lídia Moura, destacou que a utilização de dispositivos de assistência circulatória mecânica é, na maioria dos casos, a única possibilidade de sobrevivência durante a espera do doador.

“Em alguns casos, nem o medicamento funciona. O dispositivo fará a ponte desde o momento em que o coração começa a falir até a chegada de um novo órgão”, ressaltou.

De acordo com a cardiologista, a média de utilização do aparelho deverá ser de até três meses, mas o uso pode ser estendido por até seis meses. O paciente ficará no hospital, mas sem a necessidade de permanecer na Unidade de Terapia Intensiva (UTI).

O provedor da Santa Casa de Misericórdia de Curitiba, irmão Frederico Unterberger, afirmou que o hospital, referência em transplante, vai avançar na oferta do serviço. “Poderemos servir melhor à população com esta nova tecnologia que trazemos ao Estado”, disse.

“Este governo é o que mais investe nos hospitais estratégicos, sejam eles públicos, universitários ou filantrópicos. Esses hospitais têm a expertise no atendimento à população e podem ampliar os seus serviços”, destacou Caputo Neto.