Da SMCS

O índice de mortalidade infantil em Curitiba, que em 2013 já havia sido o menor da história, deve bater um novo recorde de redução em 2014. De janeiro até o dia 14 de outubro foram registrados 153 óbitos de bebês com até um ano de idade – o que representa queda de 11,05% em relação ao mesmo período do ano passado. A redução reflete o reforço em medidas e programas direcionados às gestantes pela rede pública de saúde do município, por meio do Programa Mãe Curitibana/Rede Cegonha.

maecuritibanaFoto: SMCS

Nos dez primeiros meses deste ano, a mortalidade infantil em Curitiba atingiu 7,79 óbitos por 1 mil nascidos vivos, índice 46% abaixo da média nacional. Entre os países das Américas, apenas Cuba, Canadá, Estados Unidos e Chile exibem índices inferiores ao registrado na capital paranaense, segundo dados compilados pela Organização das Nações Unidas (ONU).

No ano de 2013, Curitiba registrou índice de mortalidade infantil 9,6% inferior ao registrado no ano anterior. De acordo com o secretário municipal da saúde, Adriano Massuda, algumas medidas, como a extinção da fila de gestantes que aguardavam consulta para a avaliação de risco e o aprimoramento no Programa Mãe Curitibana e sua articulação com o Programa Rede Cegonha, do Ministério da Saúde, contribuiriam para a diminuição.

No início de 2013, 763 mulheres aguardavam para realizar a consulta que detectasse eventual risco na gravidez e se elas necessitariam de acompanhamento constante. Em alguns casos, a espera durava até três meses. Hoje o sistema não tem fila e a consulta no hospital de referência é marcada em até 15 dias.

Entre as novidades na gestão que contribuem para o recuo no índice, o secretário chama a atenção para a ampliação de acesso à rede municipal, como horário de atendimento de 11 unidades de saúde estendido até as 22 horas, o maior número de equipes de saúde da família – de 185, em janeiro de 2013, para as atuais 240 – e o crescimento no número de consultas médicas e de enfermagem.

Ginecologistas e obstetras foram integrados aos Núcleos de Apoio à Saúde da Família (Nasf), o que permite que as gestantes sem risco recebam acompanhamento nas unidades mais próximas de suas casas. Atualmente, 87,4% das mães residentes em Curitiba realizaram sete ou mais consultas de pré-natal. “Também ampliamos o contato com as maternidades, incentivando as boas práticas na hora do parto”, disse Massuda.

Para as gestantes em situação de vulnerabilidade, foram essenciais a implantação do Consultório na Rua, que leva equipes móveis de saúde ao encontro da população de rua.

Massuda cita como exemplo de desafios futuros a necessidade de envolver também a rede de saúde privada suplementar no desenho das estratégias de saúde para a cidade e fortalecer a integração das equipes de assistência em saúde e de vigilância epidemiológica.

Exames

Com a ampliação do Programa Mãe Curitibana, foram acrescentados aos exames obrigatórios durante o pré-natal testes rápidos de HIV e sífilis e eletrodoferese de hemoglobina, para identificar alterações na hemoglobina, como anemia falciforme e talassemias.

“O exame de gravidez está disponível em todas as unidades de saúde e as agentes de saúde acompanham o pré-natal das gestantes, orientando em todos os cuidados”, explicou o coordenador do programa Mãe Curitibana/Rede Cegonha,Wagner Barbosa Dias.

Além disso, é incentivado o parto normal no Sistema Único de Saúde, que comprovadamente é mais seguro para a mãe e o bebê. “Em média, cerca de 70% dos partos realizados no SUS são normais. Os 30% de cesarianas se referem aos casos de risco habitual para a mãe ou a criança. Já no sistema suplementar, 91% dos partos realizados são cesarianas”, frisa Wagner, que também ressaltou que são realizadas câmaras técnicas com as maternidades que atendem o SUS Curitiba, para incentivar as boas práticas durante o parto e a humanização.

Planejamento familiar

As 109 unidades de saúde de Curitiba também têm obtido resultados positivos com ações voltadas à orientação no planejamento familiar e cuja finalidade é a escolha do momento da gravidez e o número de filhos desejado, levando-se em consideração as necessidades de conforto, educação e qualidade de vida da família. Oficinas de gestantes realizadas regularmente na rede municipal de saúde e atividades na Maternidade Bairro Novo ajudam a compor o cenário, com o esclarecimento de dúvidas sobre a gestação, o parto e os primeiros dias do bebê.

Histórico

Além da inovação criada pela implantação do Programa Mãe Curitibana, em 1999, Curitiba também havia avançado ao iniciar, em 1994, a investigação e análise complementar de cada caso de óbito infantil pelo Comitê Pró-Vida de Prevenção de Mortalidade Materno-Infantil. O Comitê Pró-Vida é composto por representantes do SUS e da rede privada, sociedades científicas, órgãos de fiscalização, organizações da sociedade civil. Os objetivos do Comitê são identificar causas e fatores que contribuem para os óbitos, discutir e sugerir medidas de intervenção e conscientizar gestores, serviços, profissionais de saúde e comunidade sobre os efeitos da mortalidade materna e infantil.