Redação com Agência Brasil

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Os remédios emagrecedores e inibidores de apetite estão de volta ao mercado. O Senado Federal liberou nesta terça-feira (2) a venda de três grupos de remédios emagrecedores que haviam sido vetados pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) em 2011. O texto aprovado não necessita de sanção presidencial e seguirá agora para ser promulgado em sessão do Congresso Nacional, o que deve ocorrer após as eleições.

Essa decisão suspende a resolução da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), de outubro de 2011, que tinha interrompido a produção e a venda de anfepramona, femproporex e mazindol, além de criar fortes restrições à sibutramina. Os especialistas divergem sobre o tema.

A endocrinologista Rosana Radominski, da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, diz que a liberação de emagrecedores ampliará a lista de remédios disponíveis nas farmácias e facilitará a identificação do mais adequado para o paciente. Ela explicou que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) tirou do mercado remédios consolidados, que eram uma opção para obesos que não se davam bem com outros tratamentos.

“Vamos ter mais opções de tratamento para os pacientes, o que é muito bom, principalmente para aqueles de baixo poder aquisitivo. Há pacientes que não se dão bem com os medicamentos tomados como primeira opção e que ficam sem ter um tratamento adequado”, explicou a especialista, acrescentando que os anfetamínicos custam em média entre R$20 e R$25.

Já o especialista em obesidade, professor e cirurgião paranaense, Caetano Marchesini, diz que o retorno dos inibidores de apetite ao mercado pode trazer prejuízos à saúde dos brasileiros. “Os anfetamínicos apresentam risco à saúde superior aos seus benefícios e não há provas científicas de que os medicamentos são eficazes”, afirma Marchesini.

A decisão da Anvisa foi alvo de polêmica, colocando, de um lado, a Vigilância Sanitária e parte dos médicos e, de outro, profissionais da saúde que tratam pacientes obesos e os próprios usuários dos remédios.

Efeitos colaterais

Marchesini explica que as substâncias têm contraindicações. “As anfetaminas e seus derivados exercem ações químicas sobre o cérebro e provocam excitação, insônia e falta de apetite”, relata o especialista. Segundo ele, no início os medicamentos promovem perda rápida de peso, mas quando suspensos, causam um efeito rebote fazendo o apetite voltar de maneira exagerada.

“É muito comum os pacientes ganharem mais peso do que tinham antes de usar a droga. Além disso, seu uso contínuo provoca distúrbios psiquiátricos graves como depressão e irritabilidade. Muitas vezes a pessoa fica excitada, eufórica e falante e com comportamento inadequado e pode desenvolver um sentimento de que está sendo perseguida”, reforça Marchesini.

Entre os efeitos colaterais dos inibidores estão ainda, o aumento da frequência cardíaca e da pressão arterial, arritmias, diarreias, gastrite, tremor fino de mãos e boca seca. “O maior problema que encontramos com estes medicamentos é a prescrição inadequada e indiscriminada feita por alguns profissionais”, informa Caetano Marchesini.

 Outro lado

Desde 2011, quando a Anvisa proibiu a venda dos anfetamínicos anfepramona, femproporex e mazindol e restringiu a prescrição da sibutramina, as entidades médicas vinham tentando reverter a decisão. Ao proibir a venda dos anfetamínicos, usados por mais de 30 anos no Brasil, e restringir os remédios à base de sibutramina, a Anvisa argumentou que foi constatada uma baixa eficácia dos medicamentos na perda de peso e riscos à segurança do paciente.

Para o conselheiro do Conselho Federal de Medicina, José Hiran Gallo, o risco está no uso do medicamento sem prescrição médica. “A Anvisa tem que fiscalizar quando os medicamentos são vendidos na farmácia indiscriminadamente. Mas, quando aquele medicamento é prescrito pelo médico, ele vai trazer benefício para o paciente, e a gente não pode tirar essa oportunidade”.

Procurada para reportagem, a Anvisa não se manifestou sobre a decisão do Senado.

*Com colaboração do Radiojornalismo da EBC