Da SMCS

Jovens gestantes moradoras próximas dos Portais do Futuro aprenderam sobre alimentação saudável na gestação. A oficina foi especialmente preparada para elas, a partir de um diagnóstico realizado pela coordenação do Portal do Futuro que identificou um grande número de jovens grávidas nos bairros atendidos.

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(Foto: Everson Bressan/ SMCS)

A partir dessa percepção, o departamento de Educação Alimentar da Secretaria Municipal do Abastecimento preparou o conteúdo diferenciado para estas grávidas. Os grupos de gestantes participaram das oficinas organizadas pela Secretaria Municipal de Esporte, Lazer e Juventude (SMELJ) em parceria com os Portais do Futuro do Bairro Novo, Boqueirão e Cajuru.

Com idades entre 14 e 33 anos, as 19 gestantes que participaram da oficina no Portal do Futuro do Cajuru, na semana passada, receberam orientações sobre como fazer uma alimentação saudável, os cuidados que devem ter com o ganho de peso e quais os alimentos podem amenizar azia, náuseas e vômitos. “Orientamos essas mães que a saúde do bebê dependerá da condição nutricional delas, não só em relação às suas reservas energéticas, mas também quanto às reservas de vitaminas e sais minerais”, explica a nutricionista Joice Ruthes, coordenadora da Unidade Móvel de Segurança Alimentar, que serviu de apoio para a realização das oficinas.

Thanyssa Marian, de 16 anos, teve o primeiro filho com 14 anos e está no nono mês de gravidez do segundo filho. Ela conta que aprendeu na oficina que precisa comer mais frutas. “Vim pra saber mais sobre como fazer a alimentação correta”, disse. No sétimo mês de gravidez, do primeiro filho, Érika Kauane, de 17 anos, está casada há três anos e disse ter ficado surpresa que o gengibre pode ser utilizado no bolo. “Aprendi muita coisa sobre alimentação. Não sabia que comer gengibre é bom para azia e pode ser usado na massa do bolo”, disse. Ela considerou muito importante a oficina para mães de “primeira viagem”.

Apesar de ser experiente e estar grávida do terceiro filho, Denilza de Almeida, de 33 anos, também aproveitou as orientações da nutricionista sobre alimentação saudável. “Eu não sabia como escolher as frutas pela cor e que no prato é preciso ter alimentos de várias cores”. Denilza se refere à orientação simples que um prato saudável pode ser reconhecido pela diversidade de cores de alimentos nele contidos. Durante a oficina a nutricionista informa que cada um dos alimentos, de formas e cores diferentes, possui algum tipo de substância necessária ao bom funcionamento do organismo e para uma boa saúde.

A responsável pela rede de ações para a juventude da Secretaria de Esportes, Liege Andrea Buck, explicou que a Secretaria de Esporte, Lazer e Juventude busca parcerias com outras secretarias e equipamentos municipais para atingir a juventude. “Observamos que há muita jovem grávida no bairro e consideramos importante oferecer uma atividade específica para esse grupo, pois pela condição elas não participam das atividades oferecidas no Portal. Desta forma, buscamos a inclusão”, afirmou a gestora do Portal do Futuro do Cajuru, Grace Kelly Rosa, que organizou o grupo atendido no local. “Pensamos em dar sequência a esse trabalho com novas oficinas, talvez sobre alimentação para bebês”, informa Andréa da Secretaria de Esportes.

Mães jovens

Em 2013, nasceram 3.381 crianças de mães com idade abaixo de 20 anos, o que representa 13,6% dos nascidos vivos em Curitiba, conforme dados da Secretaria Municipal de Saúde. “Apesar de ter ocorrido uma redução histórica no número de grávidas abaixo dos 20 anos, no último ano voltou a crescer, comparado a 1992. Hoje as jovens têm mais informações, estão conectadas nas redes sociais, mas muitas não utilizam métodos contraceptivos e a gravidez não é programada”, analisa o médico coordenador do programa Mãe Curitiba e Rede Cegonha, Wagner Barbosa Dias.

Segundo o médico, entre as mães abaixo dos 20 anos de idade, as taxas de anemia por deficiência de Ferro e nutricional são maiores que em mães com idade superior. “A falta de Ferro e de uma alimentação adequada aumenta o risco de desenvolver diabetes gestacional e hipertensão”, exemplifica o médico sobre um dos problemas que podem ser provocados pela má alimentação na gestação.