Da SMCS

O mês de agosto é dedicado na área da saúde para a realização de campanha para incentivar a prevenção e a promoção de saúde do homem. Para isso até existe lei estadual, a de número 17.099, que indica o mês de agosto para este fim. O objetivo principal desta lei é motivar uma mudança cultural para que homens procurem atendimento com um profissional da saúde, antes que doenças se manifestem de forma mais grave.

Os números de atendimento nos equipamentos de saúde de Curitiba mostram a diferença na procura médica por gênero: nos sete primeiros meses de 2014, a Secretaria Municipal da Saúde atendeu mais de 1,9 milhão de pessoas. Deste total, menos de 40%, ou 36,75% (720.637) eram do sexo masculino.

A proporção de atendimento de homens em relação a mulheres só se mantém equilibrada até os 10 anos, reduzindo-se na adolescência, quando o atendimento de jovens de 15 a 19 anos cai para 30%. Entre os 20 e 60 anos a proporção é de 32% de homens para 68% de mulheres que procuram atendimento nos equipamentos de saúde e essa proporção só diminui discretamente com os idosos, que representam 35,12% dos atendimentos de homens contra 64.88% de mulheres.

O gerenciador de risco Rogério Luiz Stoklein, de 39 anos, se encaixava bem nesta estatística de poucos homens procurando atendimento médico. “Viajava bastante e não tinha tempo de procurar um médico. Só buscava atendimento em uma unidade de saúde quando estava com alguma dor. Há pouco mais de 3 anos descobri um câncer e agora vou semanalmente ao hospital para fazer meu tratamento”, conta. Embora tenha descoberto o câncer ainda no início, Stoklein garante que se pudesse voltar no tempo, teria procurado mais a unidade de saúde.

“Não existe nenhum protocolo que determine a periodicidade que um homem saudável deva procurar um médico, mas é fundamental que ele procure a sua unidade básica de referência, conheça a equipe médica a qual pertence e vá sempre até ela quando precisar. É importante criar o vínculo. Conhecendo o histórico do paciente e hábito da família é muito mais fácil trabalhar com a prevenção”, explica o coordenador da Saúde do Homem da Secretaria Municipal da Saúde, César Titon.

“Meu filho pode nascer a qualquer momento e não vou deixar que ele só procure um médico quando sentir alguma dor, mesmo depois de adulto. Acho que esta cultura já está mudando e as unidades de saúde abertas até as 22 horas já facilita muito nosso acesso, não temos mais só a UPA como opção para consultar o médico fora do horário de trabalho”, conta o educador físico Toni Casagrande, que estava acompanhando a consulta da mulher Ana Cláudia, grávida de 9 meses do Lourenço.

Mais acesso

Para facilitar o acesso de todos aos equipamentos de saúde de Curitiba, a Secretaria ampliou o horário de atendimento de 11 unidades de saúde, facilitou o cadastro definitivo – não exigindo mais a comprovação do endereço pelos agentes comunitários de saúde quando o comprovante é entregue no momento do cadastro -, resgatou o trabalho dos enfermeiros que saíram da função burocrática para voltarem ao cuidado da população. Também ampliou o número de equipes do Programa Saúde da Família e deixou a agenda dos profissionais de saúde mais flexíveis para atender as pessoas em até 72 horas a procura a unidade.

Mais homens

Segundo os dados do departamento de epidemiologia da Secretaria Municipal, os homens só procuraram mais os atendimentos de saúde no SUS Curitiba do que as mulheres em todo ano de 2013 para o tratamento de HIV/Aids (70% homens), tuberculose (63,7%), leptospirose (78,6%), meningite (56,3%) e hanseníase (60%). Entre as doenças mais comuns que prejudicam a saúde do homem estão hipertensão, diabetes, câncer, obesidade, depressão e acidentes de trânsito e de trabalho além da violência.

A Comissão de Saúde do Homem do Conselho Municipal de Saúde de Curitiba convida os homens a seguirem 10 passos para cuidar da saúde: ter uma alimentação saudável; fazer atividade física; usar camisinha; cuidar da saúde da boca; controlar nível de estresse; seguir as medidas de segurança no trabalho e no trânsito; acompanhar os problemas de saúde com a mesma equipe de saúde na unidade básica.