Da AEN-PR

O secretário estadual da Saúde, Michele Caputo Neto, anunciou nesta quinta-feira (22) a ampliação do programa HospSUS, de apoio à qualificação dos hospitais públicos e filantrópicos do Paraná. O programa vai receber um aporte extra de R$ 25,6 milhões do Governo do Estado, o que permitirá um grande reajuste no valor repassado para o custeio dos hospitais.

O aumento será de, em média, 35% no valor do incentivo referente ao atendimento de urgência e emergência. “Isso representa um incremento de R$ 18 milhões no repasse do HospSUS a 45 hospitais filantrópicos estrategicamente importantes para a rede pública de saúde do Paraná”, detalhou Caputo Neto.

De acordo com o secretário, o objetivo é beneficiar hospitais que tiveram um bom desempenho no cumprimento das metas estabelecidas pelo HospSUS, que já completa quatro anos. “Temos excelentes resultados para comemorar, sobretudo na atenção materno-infantil e na área de urgência e emergência. Contudo, sabemos das dificuldades para o custeio dos serviços e por isso vamos fazer este aporte extra para garantir o funcionamento desses hospitais”, completou.

Outra mudança será a inclusão das instituições filantrópicas na terceira fase do HospSUS, que contempla hospitais de pequeno porte – com menos de 50 leitos. Inicialmente, 25 unidades hospitalares serão incluídas, o que representará um investimento de mais R$ 7,6 milhões por ano. Com isso, serão aplicados anualmente cerca de R$ 21,6 milhões nesta modalidade do programa, que agora terá 81 hospitais.

SEMINÁRIO – As medidas foram anunciadas durante a abertura do 8º Seminário da Femipa (Federação das Santas Casas de Misericórdia do Paraná), que reúne mais de 200 profissionais de saúde e gestores de hospitais filantrópicos de todo o Estado. O evento, que acontece em Curitiba até sexta-feira (23), discute a crise de financiamento do Sistema Único de Saúde, sobretudo por conta da falta de repasses do governo federal.

HOSPSUS – Segundo o presidente da Femipa, Luiz Soares Koury, o HospSUS se consolidou como uma importante política pública de saúde do Paraná, pois destina recursos para obras, equipamentos, custeio e capacitação dos gestores e profissionais de saúde dos hospitais. “Pela primeira vez podemos dizer que o Estado é realmente parceiro da filantropia e reconhece a importância dos hospitais filantrópicos para a manutenção do atendimento à população”, disse.

Koury ressalta ainda que mais da metade dos atendimentos hospitalares realizados no Paraná são feitos por instituições filantrópicas. Na área de alta complexidade, essa porcentagem aumenta ainda mais e chega à cerca de 70% do total de atendimentos. “Vivemos uma crise de financiamento no SUS e precisamos que o governo federal invista mais no setor. Nós, hospitais filantrópicos, estamos sofrendo muito com esse subfinanciamento. A tabela paga pelos procedimentos está defasada, o que pressiona o caixa dos hospitais”, alertou.

MODELO – Para o presidente da Confederação das Santas Casas de Misericórdia, Hospitais e Entidades Filantrópicas (CMB), Edson Rogatti, a dívida dos hospitais filantrópicos no País chega a quase R$ 21 bilhões. Ele afirma que iniciativas como a do Paraná, com o HospSUS, dão fôlego às instituições e servem de exemplo para todo o Brasil.

“Não é à toa que convidamos o secretário Michele Caputo para participar de eventos da filantropia em todo o Brasil. Precisamos que essas iniciativas, como a do Paraná e de São Paulo, sejam reproduzidas em outros Estados, fortalecendo cada vez mais os serviços de saúde ligados à filantropia”, ressaltou Rogatti.

Ao longo do ano, o secretário de Saúde do Paraná esteve em seminários em Recife (PE), Campinas (SP), Florianópolis (SC) e Salvador (BA) para apresentar as estratégias adotadas pelo Estado para qualificar a atenção hospitalar. O destaque é por conta da alternativa encontrada pela gestão estadual para reforçar a estrutura de alta complexidade, principalmente com a abertura de leitos de UTI adulto, neonatal e pediátrica em diversas regiões.

RESULTADOS – Em quatro anos, o Governo do Paraná já destinou R$ 261,7 milhões para o custeio e R$ 118,6 milhões para investimentos em obras e equipamentos através do HospSUS. A criação deste programa foi uma das primeiras medidas determinadas pelo governador Beto Richa no início de sua gestão, em 2011.

Ao todo, 255 hospitais fazem parte das três modalidades do HospSUS. Entre os resultados conquistados pelo programa estão a ampliação em 45% da oferta de leitos de UTI (538 leitos a mais); a redução da mortalidade por acidentes (21,7%) e da mortalidade materna e infantil, com 439 mães e bebês salvos em quatro anos; e o aumento do número de transplantes de órgãos e tecidos (150%).