Redação

A obesidade já está sendo tratada como o mal do século por médicos e especialistas no Brasil e no mundo, no último dia 30 de maio, aponta o Brasil como o 5º no ranking mundial, com 60 milhões de pessoas acima do peso e 22 milhões de brasileiros considerados obesos.

Já a mais recente pesquisa do Ministério da Saúde coloca Curitiba em 9º lugar – entre as 27 capitais brasileiras – com maior número de crianças e adultos obesos. A pesquisa foi realizada no Brasil com informações obtidas pelo VIGITEL – Vigilância de fatores de risco e proteção para doenças crônicas por Inquérito Telefônico, em todas as capitais brasileiras e no Distrito Federal. (link da pesquisa abaixo)

O professor e cirurgião paranaense, Caetano Marchesini – membro da Federação Internacional de Cirurgia para Obesidade (IFSO), explica que a mudança radical nos hábitos dos brasileiros está levando o país a estes resultados.

“Nos últimos anos houve um aumento do consumo de alimentos altamente calóricos e ricos em gordura, sal e açúcar, mas pobres em vitaminas, minerais e outros micronutrientes. Ao mesmo tempo, ocorreu uma queda na atividade física por causa do aumento de atividades de natureza sedentária, mudança nos meios de transporte e aumento da urbanização”, ressalta Marchesini.

A pesquisa internacional foi liderada pelo Instituto de Métricas e Avaliações de Saúde (IHME), em Washington, e executada por pesquisadores de todo o mundo. O primeiro país no ranking é os Estados Unidos, seguido por China, Índia, Rússia e, finalmente, o Brasil.

O levantamento também aponta que 52,5% dos homens brasileiros estão acima do peso são obesos. Entre as mulheres, esse percentual é de 58,4%. Já o Ministério da Saúde afirmou que, pela primeira vez em oito anos, o percentual de excesso de peso e de obesidade se manteve estável no país, 50,8% (média entre homens e mulheres). Em 2012, esse índice foi de 51%.

Cirurgias

Com o crescimento da obesidade no Brasil, o número de cirurgias para redução de estômago também está crescendo: são cerca de 70 mil cirurgias realizadas todos os anos. Caetano Marchesini, que é referência na formação de novos cirurgiões nesta área, acredita que é necessário um trabalho conjunto do governo e da sociedade para conter o avanço da obesidade.

“No momento, o Brasil não possui médicos para atender todos os pacientes que sofrem dessa epidemia que se tornou a obesidade no Brasil e no mundo”, alertou o cirurgião Caetano Marchesini.

Fatores e causas

A obesidade é considerada uma doença crônica caracterizada pelo excesso de gordura no organismo com desproporção na distribuição da gordura pelo corpo. O sobrepeso é estabelecido quando o índice de massa corporal (IMC), relação entre peso e altura, é de 25 até 29,9. A partir de 30 de IMC a pessoa é considerada obesa. O IMC é calculado dividindo o peso pela altura elevada ao quadrado.

A técnica de enfermagem Angélica Oliveira, 40 anos, estava com problemas de saúde relacionados à obesidade. “Além de obesa, eu tinha diabetes, pressão alta e gordura no fígado”, conta. Ela perdeu 50 quilos em sete meses, com apoio de médicos, nutricionista, psiquiatra e educador físico. “Mudei de vida e hoje sou uma pessoa saudável, mas a disciplina e a força de vontade do paciente são fatores fundamentais”, reforça Angélica

Crianças

Enquanto os alimentos ricos em açúcar e gordura, mas pobres em nutrientes, que só eram oferecidos às crianças em ocasiões especiais, passaram a fazer parte da rotina alimentar de muitos meninos e meninas, andar a pé ou brincar na rua deixaram de ser hábitos tão frequentes, substituídos por televisão, videogame, computador e andar de carro. A ansiedade e estresse, para os quais a forma de escape muitas vezes é comer em excesso, tornaram-se mais ­frequentes entre crianças

O resultado dessas mudanças é verificado em estatísticas que apontam uma verdadeira epidemia de obesidade infantil. Segundo a POF 2008–09, em 2009, uma em cada três crianças de 5 a 9 anos estava acima do peso recomendado pela OMS.