Felipe Ribeiro e Geovane Barreiro

O anúncio da presidente Dilma Rousseff de trazer médicos estrangeiros para trabalhar em unidades distantes do Sistema Único de Saúde (SUS) tem gerado uma série de protestos por parte dos profissionais da Saúde nos quatro cantos do país. Hoje, em entrevista ao radialista Geovane Barreiro, o presidente do Conselho Regional de Medicina (CRM) do Paraná, Alexandre Bley, chegou até mesmo a fazer uma analogia com as constantes reclamações de usuários que buscam as unidades básicas e hospitais por todo o país.

“A saúde brasileira só não está na UTI porque ainda não encontrou vagas. Tanto a atenção básica, quanto a especializada estão sendo completamente negligenciadas. Não concordamos com a ideia de trazer médicos de fora sendo que os daqui não possuem condições de realizar dignamente o seu trabalho”, afirmou Bley.

O argumento do Governo Federal para trazer os médicos estrangeiros seria a falta de profissionais qualificados para atuarem no país, mas o presidente do CRM garante que isso é um equívoco. “O governo desviou o foco, não é que não existem profissionais, o que acontece é posto não preenchido, uma vez que a falta de condições de trabalho afastam o médico de lá. Muitas vezes ele precisa implorar por um exame, então eles buscam condições adequadas para exercer a profissão”, afirmou.

Bley afirma ainda que a categoria não seja contra a vinda dos médicos, mas sim na forma que o governo pretende fazer. “Eles não vão resolver o problema da saúde assim. Somos contra a vinda deles sem o processo de revalidação e sem os necessários conhecimentos na língua portuguesa, já que eles precisam saber se comunicar com os pacientes”, concluiu.

Uma manifestação nacional denominada ‘Vem pra rua pela saúde’ acontece na próxima quarta-feira (3). A concentração em Curitiba acontecerá na Boca Maldita.