Por Felipe Ribeiro

A imagem antes da modificação (Foto: Divulgação)

A imagem antes da modificação (Foto: Divulgação)

Desde o último mês de outubro, Curitiba recebe a 22ª edição da Bienal, um dos mais importantes eventos de arte contemporânea do país. O que costuma ocorrer com tranquilidade e deixar a cidade com mais cores, porém, terminou em uma grande polêmica durante a última semana motivada por um pedido de alteração a uma obra que retratava a parte intima feminina na Rodoviária de Curitiba. A solicitação foi feita pela vereadora Julieta Reis (DEM), que considerou que a pintura estava em um “local inadequado”. Sob pressão, o artista plástico Tom14 acatou o pedido e modificou a obra.

Imagem após intervenção (Foto: Divulgação)

Imagem após intervenção (Foto: Divulgação)

Em entrevista à Banda B nesta quarta-feira (4), Tom14 explicou que a pintura é faz parte de uma obra na Rodoviária que tinha o objetivo de mostrar o espaço como um corpo feminino. “A um ver político, essa vereadora não gostou e foi atrás de censurar a obra. O objetivo principal da intervenção é trazer cores vivas para o espaço. Os desenhos são geométricos e visam renovar esses espaços abandonos no pós-Copa. Percebemos a alegria de quem aqui trabalha. Qualquer pessoa que não gostasse, é só me dizer, mas isso veio por solicitação política”, relatou.

A vereadora Julieta Reis nega qualquer censura ao artista e garante que o questionamento se limita ao local em que a pintura foi feita. “O artista é libertário, pode fazer o que quiser. Nosso questionamento é o local, já que eles poderiam ter feito em um local mais fechado, mas não na rodoviária, que é um espaço público e que não considero condizente”, disse.

As obras multicoloridas do artista Tom14 estão em diferentes locais do terminal, como as laterais da escada rolante, o piso da pista dos ônibus e o túnel de circulação dos viajantes. Curitibano, ele inspirou-se em três temas para criar os painéis que serão espalhados pelo local: a luz do mundo, +amor e viagem.

Segundo Tom14, existem tantos outros temas a serem discutidos no entorno da rodoviária que ele ainda tenta entender a polêmica. “Temos as questões dos acessos, como ficou pós-Copa e se formos discutir politicamente, pensemos em segurança por exemplo. É uma bobagem abrir uma discussão sobre isso, é ridículo esse puritanismo. Até freiras me felicitaram pela obra”, comentou.

Pedido

Segundo Julieta Reis, os questionamentos sobre a obra chegaram até o escritório dela por vários meios, mas principalmente pelas redes sociais. “A temática do painel é a genitália feminina e está na chegada a Curitiba. Essas pessoas não acharam adequado o espaço público e eu concordei já que é necessário bom senso. Não existe puritanismo nenhum, é só o local e a temática que é inadequada”, concluiu.

Em nota, a Urbs informou que está muito feliz por abrigar obras da Bienal de Curitiba. “A Urbs não fez avaliação prévia de mérito das obras. A Rodoviária recebeu figurações estilizadas do corpo humano como olhos, ouvidos, braços e mãos. Uma das obras gerou polêmica. A Urbs entendeu que essa obra procurava o empoderamento das mulheres a partir de uma figura comum em qualquer livro didático. Entretanto, algumas pessoas fizeram outras interpretações. Uma vez que o artista não se sentiu incomodado nem interessado em sustentar uma polêmica que não fazia parte da concepção da obra, em discussão com ele e com a curadoria da Bienal, chegou-se à conclusão de que seria melhor fazer a alteração”, relatou.