Da Redação com CMC

A ex-diretora jurídica da Urbs, Marilena Indira Winter, prestou depoimento nesta quinta-feira (26) na CPI da Câmara Municipal que investiga o transporte em Curitiba.  Ela afirmou que não sofreu “interferência” das empresas de ônibus e que integrou, junto com outras duas pessoas, uma “comissão informal” para subsidiar a licitação.

O vice relator vereador Valdemir Soares (PRB) leu uma relação de pessoas que teriam formalmente composto comissão semelhante, da qual Marilena Winter faria parte, mas ela disse que não se lembrava dessa designação, o que foi considerado um novo indício de fraude no processo pela presidência do colegiado.

“Foi a licitação mais importante feita no período em que estive na Urbs”, admitiu a ex-diretora. Marilena ainda comentou que aspectos dcpi-transporte-240913-bandaba licitação eram debatidos dentro do setor e que conversava sobre isso com a Procuradoria Geral do Município, à época dirigida por Ivan Bonilha, já que ela estava cedida pelo órgão. “Pessoalmente, ele não praticou nenhum ato nesse processo. Mas eu mantive diálogo permanente com a PGM nesse período”, confirmou.

A ex-diretora também afirmou que é possível que a CPI constate algum tipo de irregularidade. “Isso não quer dizer que a licitação é inválida”. O depoimento foi acompanhado por outros seis membros da PGM, incluindo o atual diretor, Joel Macedo.

Linhas de investigação

Com o objetivo de tentar baixar a tarifa, a CPI do Transporte Coletivo da Câmara Municipal de Curitiba está focada em quatro pilares de investigação. Um deles é o suposto lucro excessivo das empresas, que, segundo Jorge Bernardi, deve passar de R$ 100 milhões. O segundo é o processo licitatório, com indícios de irregularidades. Há a desconfiança, entre os integrantes do colegiado, de que foram concedidos benefícios para empresas que já estavam no sistema.

Investiga-se também a composição tarifária. “Há suspeita de superfaturamento no processo de manutenção das catracas, conforme admitiu a Dataprom”, complementou o presidente da CPI. A quarta linha de investigação é sobre a suspeita de falta de recolhimento do Imposto Sobre Serviços (ISS) das empresas do sistema.

Presidido pelo vereador Jorge Bernardi (PDT), o colegiado tem Serginho do Posto (PSDB) na vice-presidência e Bruno Pessuti (PSC) na relatoria, além de Valdemir Soares (PRB) como vice-relator. A CPI também reúne os vereadores Chicarelli (PSDC), Chico do Uberaba (PMN), Cristiano Santos (PV), Geovane Fernandes (PTB), Mauro Ignacio (PSB), Noemia Rocha (PMDB), Paulo Rink (PPS), Professora Josete (PT) e Tiago Gevert (PSC).