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Governador Beto Richa em entrevista á jornalista Denise Mello na Banda B – Foto: Luiz Henrique Oliveira/Banda B

Se o mandato do governador Beto Richa (PSDB) terminasse neste fim de ano, as contas do Paraná seriam entregues com dinheiro em caixa. Em entrevista à jornalista Denise Mello, no Jornal da Banda B, na manhã desta sexta-feira (16), o tucano frisou que a situação financeira está equilibrada e o Paraná é hoje o estado com a melhor situação financeira e fiscal do Brasil. “Fui muito criticado pelos meus adversários quando no final de 2104 iniciei um grande ajuste fiscal, com medidas de austeridade que exigiram responsabilidade e coragem. Isso mexeu com minha popularidade e, mesmo alertado por meus assessores, não abri mão dessa ideia. Escolhi o futuro do Paraná e hoje posso dizer que o ajuste fiscal é o maior legado desta primeira metade do meu segundo mandato”, afirmou Richa.

O governador lamentou a situação de vários estados sem condição de manter salário em dia e pagar o 13ª salário, como o Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul, mas ressalta que aqui a situação é muito diferente. “Em todos os outros estados o reajuste ao funcionalismo neste ano foi zero e no Paraná demos aumento de 10,67%. Além disso, antecipamos a primeira parcela do 13º salários dos servidores no dia 20 de novembro. Isso é resultado do ajuste fiscal que promovemos”.

Questionado se a PEC do Teto dos Gastos, aprovada na Câmara e no Senado limitando os gastos públicos à inflação do ano anterior nos próximos 20 anos, se vai atingir o Paraná, Richa diz que isso não o preocupa. “Não nos preocupa porque temos já as contas equilibradas. Considero a PEC muito correta porque impõe limites a esta gastança de gestores irresponsáveis que ocorre em algumas administrações públicas”.
Por outro lado, o governador reforça que a relação com os servidores terá um limitador importante para futuros reajustes. “Demos nos últimos seis anos aumentos acima de 100% para os servidores, com ganho real em torno de 46%. Isso enquanto muitos trabalhadores, como os da construção civil, negociam até redução de salário para manter os empregos. Não podemos dar o rejuste agora em janeiro porque priorizamos as promoções e progressões que vão representar R$ 2,1 bilhões a mais na folha. Não posso punir 11, 5 milhões de paranaenses para beneficiar 200 mil servidores. Tem que haver um limite. Não podemos aceitar demandas insaciáveis e infinitas que acabariam se sobrepondo ao interesse público”.

Investimentos

Richa garantiu que, mesmo em meio à crise econômica, o Paraná vai continuar investindo em infraestrutura com obras nas cidades, melhorias de rodovias e segurança pública. Ele também garantiu que não haverá novos aumentos de impostos aos paranaenses em 2017, mas ressaltou que para manter o equilíbrio é preciso manter a austeridade.

Apoiador do presidente Michel Temer (PMDB), o governador apoia as novas medidas econômicas anunciadas nesta quinta-feira (15). “O presidente Temer tem uma equipe econômica respeitada e altamente competente. Isso traz segurança para todos e resgata a confiança dos investidores para gerarmos empregos e a economia voltar a crescer”.

Para 2017, Richa ainda garantiu que o estado vai voltar a ocupar o 4º lugar entre os maiores PIBs do país. No ano passado, o estado voltou para o 5º lugar e perdeu a posição de quarta economia para o Rio Grande do Sul, referente ao ano de 2014. Mas ano que vem, segundo Richa, o posto será novamente alcançado. “Pode esperar e ter convicção que na próxima avaliação referente ao ano de 2015, o Paraná voltará a ser a quarta economia do país”.

Operação Publicano

Questionado na entrevista sobre a condenação de 42 réus da ação criminal referente à primeira fase da Operação Publicano, que investiga um esquema de corrupção na Receita Estadual do Paraná, Richa afirmou que a corrupção no órgão é antiga e é preciso punir os envolvidos em corrupção. Márcio Albuquerque Lima, ex-inspetor-geral de fiscalização da Receita Estadual, apontado pelo Ministério Público do Paraná (MP-PR) como chefe do esquema de corrupção no órgão, foi condenado a 97 anos, 1 mês e 29 dias de reclusão, pelos crimes de corrupção ativa, corrupção passiva tributária e organização criminosa.

“O delator disse claramente que a corrupção na Receita estadual existia há mais de 30 anos e quando tomamos conhecimento, tomamos medidas duras inclusive com a provação de lei com punições exemplares para quem comete o desvio de dinheiro público. Sou intolerante com este comportamento de um servidor público”, afirmou.

Futuro

O governador não quis comentar sobre seu futuro político. Perguntado sobre a possibilidade de compor chapa com o ex-senador Osmar Dias (PDT) numa eventual candidatura dele ao governo em 2018, tendo Richa como candidato ao senado, o tucano desconversou. “Quero cumprir bem meu segundo mandato porque quero retribuir a confiança do povo paranaense. Estou muito satisfeito com o que conquistei até aqui. Posso perfeitamente passar a me dedicar mais à minha família, ainda mais agora que eu e Fernanda (esposa) ganhamos três netinhos. Se houver uma convocação para uma candidatura vou analisar com calma”.