Por Denise Mello e Adilson Arantes

Sempre com uma postura pouco agressiva nas entrevistas em relação a seus adversários políticos, o governador Beto Richa (PSDB) fugiu um pouco do discurso habitual e, em meio a apresentação dos avanços de seu governo, partiu para o ataque contra o ex-governador Roberto Requião (PMDB), que pleiteia a disputa pelo governo em outubro, caso o PMDB decida pela candidatura própria. Em entrevista ao Jornal da Banda B na manhã desta quarta-feira (28), ao vivo no estúdio, Richa citou alguns privilégios do ex-governador no tempo que morava na granja Canguiri, casa oficial do governo. Dos cavalos aos vinhos, não escapou nada.

beto richa estudio

Richa atacou Requião e governo federal – Foto: Geovane Barreiro/Banda B

“Não utilizo a Granja Canguiri porque moro em meu apartamento e as despesas da minha família sou eu quem pago. Até porque não teria tempo de passar manhãs inteiras cavalgando porque tenho muito trabalhão no Palácio Iguaçu e em todo o estado. Sabemos que o ex-governador (Requião) sempre gostou de mordomias e tem até uma ação popular questionando os 50 cavalos de propriedade dele que eram bancados com dinheiro público, alimentação, veterinários, hospedagem… E sem falar nos vinhos caríssimos doados por empreiteiros que ele tanto critica. Lá tem uma adega para 1,5 mil vinhos. Não sobrou nenhuma, ele levou todas as garrafas, mas cansei de ver em solenidades ele dizer que vinho nacional só serve para fazer sagu e temperar salada (…) Aquela história da carta de Puebla (opção preferencial pelos pobres) é só para inglês ver”, disparou o governador contra o senador Roberto Requião.

Confiante, Richa disse ter todas as indicações de que o PMDB continuará ao seu lado nas eleições de outubro, sem candidatura própria. “Procuro não interferir na decisão interna do PMDB  (…), mas fiz questão de atrair o partido para o meu governo para garantir a governabilidade. São deputados experientes que sabem conduzir suas ações parlamentares e representam todas as regiões do estado. E esse convívio foi tão bom que se antes ninguém imaginava a possibilidade concreta de PMSDB e PMDB disputarem as eleições com o mesmo projeto, hoje é real. Tenho informações que 70% dos convencionais ou mais optam pela coligação e não pela candidatura própria”, afirmou.

Empréstimo

O governador também foi bastante duro nas críticas ao governo federal. Afirmou que a tarifa da energia elétrica deve subir no Paraná no dia 24 de junho, mas por erros de gestão no setor por parte do governo federal. “Os custos da Copel são pouco mais de 1% e o aumento, como antecipou a senadora Gleisi, que é do PT, deve ficar em torno dos 30%; ou seja, tudo que for acima dos 1% é de responsabilidade do governo federal que tirou com uma mão lá atrás quando reduziu a conta de luz e vai colocar com a outra”, disse Richa. “Não sabemos o índice de reajuste que será definido exclusivamente pela Aneel”, completou.

O tucano ainda voltou a dizer que os empréstimos ao Paraná só estão barrados ainda por questões políticas. “Não há dúvida que o bloqueio de recursos vem do governo federal para me desgastar em ano de eleição e, assim, quem é punido são todos os paranaenses”, falou Richa sobre o empréstimo de R$ 817 milhões do Proinveste que em dois anos ainda não saiu.

Segundo o governador a situação financeira do Paraná é boa, passar de não de ser a ideal e se há questões importantes na saúde e segurança pública, por exemplo, muito se deve a omissão do governo federal que tem sobrecarregado cada vez mais estados e municípios.

Arena e Copa

Sobre os empréstimos ao Atlético Paranaense para a construção da Arena para a Copa do Mundo, Richa refirmou que o dinheiro terá que voltar aos cofres públicos. “A lei nem permite investir em empreendimentos privados. O que foi emprestado com recursos do BNDES irá voltar até porque temos todas as garantias necessária”. Richa também repetiu o comentário feito no Programa Roda Vida, da TV Cultura, que se soubesse como seria, não teria se esforçado tanto para trazer a Copa ao Paraná. “Estava equivocado. Foi um engodo. Todos imaginavam que os recursos para infraestrutura seriam doados aos estados e municípios e não foi isso. O dinheiro foi emprestado a juros altíssimos”, concluiu.