O presidente da Federação das Indústrias do Paraná (Fiep), Edson Campagnolo, cobrou nesta quarta-feira (15), durante sessão da Assembleia Legislativa, mais transparência nas informações sobre as concessões de rodovias no Estado. Em seu pronunciamento, Campagnolo criticou os altos valores do pedágio nas estradas paranaenses e a não realização das obras previstas nos contratos originais de concessão. Acompanhado de diretores de sindicatos industriais e lideranças empresariais, Campagnolo esteve na Assembleia para entregar a cada um dos 54 deputados estaduais a Agenda Legislativa da Indústria do Paraná 2013, publicação que apresenta o posicionamento do segmento industrial em relação a 23 projetos de lei que tramitam na Casa.

Segundo Campagnolo, o Legislativo é o ambiente ideal para debater questões fundamentais para o desenvolvimento do Estado, o que inclui o desempenho de setor produtivo. Para o presidente da Fiep, hoje um dos fatores que mais prejudicam a competitividade dos produtos paranaense é o alto valor cobrado nos pedágio do chamado Anel de Integração. “Este talvez seja o tema mais grave que enfrentamos hoje no que diz respeito à competitividade do produto paranaense”, disse. “Não somos contrários o pedágio, absolutamente, até porque percebemos que a iniciativa privada é que tem mais capacidade de investimento. Mas esses contratos que instituíram o pedágio no Paraná, há quase 16 anos, precisam ser revistos”, acrescentou.

Campagnolo questionou principalmente a falta de transparência em relação aos valores arrecadados pelas concessionárias e aos investimentos realizados nas rodovias. “Tem que haver mais transparência. Se a arrecadação hoje não justifica os investimentos, então que isso seja mostrado claramente”, cobrou. Ele citou que representantes da diretoria da Fiep participaram de uma comissão tripartite formada pelo governo do Estado que visitou algumas praças de pedágio, mas criticou o fato de que, nesses encontros, não foram passadas informações importantes sobre as concessões. “Não foi falado em valores, em obras e em mais infraestrutura. Nós, de forma alguma, fomos chamados para falar sobre preço, custo e investimentos. É para isso que queremos ser chamados”, afirmou.

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Além disso, o presidente da Fiep disse que a entidade pretende colocar à disposição da Assembleia e da sociedade paranaense um mecanismo que possibilite uma contagem dos veículos que trafegam nas rodovias concedidas. “Será que não conseguimos descobrir quantos veículos estão trafegando em nossas praças de pedágio? Quanto é que estamos arrecadando e quanto é que estamos investindo? Será que esse pedágio não está muito alto?”, questionou.

Ele criticou ainda a possibilidade, divulgada pela imprensa, de antecipação da renovação dos contratos, o que seria uma contrapartida para que as concessionárias realizassem as obras. “Como hoje temos um modelo de pedágio já constituído e que não está a contento para o setor produtivo do Paraná, falar em renovação de concessão hoje soa até como uma irresponsabilidade”, declarou Campagnolo.

Mínimo regional

Outro ponto levantado por Edson Campagnolo durante seu pronunciamento no plenário da Assembleia Legislativa foi a falta de diálogo para a definição do índice de reajuste do salário mínimo regional do Paraná. Este ano, o reajuste, que ficou em 12,63%, foi definido por decreto do governador Beto Richa. “Também não somos contrários a reajustes e aumentos de salários. O que não concordamos é que seja feito por meio de decreto”, disse. “A maioria dos setores produtivos tem seu sindicato patronal e seu sindicato de trabalhadores, que sentam em uma mesa de discussão e tentam chegar a um comum acordo. Se existem alguns setores desprotegidos, somos favoráveis à intervenção do Estado. Mas para os setores que estão organizados, tem que haver um franco diálogo, deixando o mercado regular”, completou.

O presidente da Assembleia, deputado Valdir Rossoni (PSDB), afirmou que é interesse da Casa ampliar o diálogo sobre a questão do piso regional. “O Poder Legislativo estará vigilante na questão do mínimo, para levar em conta a condição do setor produtivo do Estado”, disse.

Fonte: assessoria Fiep

Foto:Gilson Abreu