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O senador Romero Jucá (PMDB-RR) recebeu R$ 22 milhões de propina da Odebrecht, segundo a delação do ex-vice-presidente de Relações Institucionais da Odebrecht Cláudio Melo Filho. De acordo com o delator, o atual líder do governo no Congresso “concentrava a arrecadação e distribuição dos recursos destinados ao partido”. Em troca, Jucá atuava como “patrocinador” de uma “intensa agenda legislativa” em favor da Odebrecht.

A Comissão de Reforma Política reúne-­se para analisar a  proposta que prevê novas eleições se o eleito em cargo majoritário for cassado ou perder o mandato por outro motivo (Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil)

(Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil)

Jucá recebeu o apelido de “Caju”. O delator disse que o fato de sua relação com Jucá envolver dinheiro lhe dava privilégios, como o de ser recebido a hora que quisesse, mesmo com o gabinete lotado de pessoas ou de esperar o senador na sala dele, mesmo sem a presença do parlamentar.

Sobre a escolha do senador como o principal articulador da empreiteira no Congresso, Melo apontou dois motivos: “a intensidade da sua devoção aos pleitos que eram do nosso interesse e o elevado valor dos pagamentos financeiros que foram feitos ao senador ao longo dos anos”, diz o anexo da delação premiada.

Segundo o ex-executivo da Odebrecht, Jucá atuou para a aprovação de 14 projetos de lei ou medidas provisórias de interesse da empreiteira, principalmente de temas tributários. O delator lembra que ele é considerado o “Resolvedor da República no Congresso” e o “Eterno Líder”, por ter ocupado esse cargo várias vezes. Segundo Melo, Jucá também tinha “desenvoltura” no tratamento com o Poder Executivo, especialmente nos ministérios da Fazenda e do Planejamento.

A conta, disse o delator, era paga nas eleições. “Todo apoio desenvolvido pelo senador teria, nos momentos de campanha, uma conta a ser paga”, disse. Ele relatou que os apoios eram “equacionados” nas contribuições a pretexto da campanha eleitoral, de forma oficial ou via caixa 2.