Redação com Estadão

Ministro Eliseu Padilha – Foto: EBC

O ministro-chefe da Casa Civil, Eliseu Padilha, afirmou que o governo fez indicação para um cargo importante do Executivo em troca de apoio político no Congresso Nacional. Ele detalhou em um evento da Caixa Econômica Federal, na semana passada, em Brasília, como foi feita a escolha do ministro da Saúde, Ricardo Barros (PP).

O áudio foi publicado pelo jornal “O Estado de S. Paulo”. Padilha afirma que o governo inicialmente queria indicar apenas pessoas com reconhecimento na área de seu ministério, mas a necessidade de apoio político no Congresso fez a situação mudar. Foi assim, relatou, com o ministro da Saúde, Ricardo Barros (PP). “A Saúde é de vocês, mas gostaríamos de ter um notável”, contou ter dito ao PP. “Diz para o presidente que nosso notável é o deputado Ricardo Barros”, respondeu a sigla. “Vocês garantem todos os votos do partido nas votações?”. “Garantimos”. “Então o Ricardo será o notável.”

“Nosso objetivo era chegar aos 88% de apoio no Congresso. Não há na história do Brasil um governo que tenha conseguido 88% do Congresso. Isso Vargas não teve, JK não teve, FHC não teve, Lula não teve, só nós que conseguimos”, disse Padilha.

O “notável” Ricardo Barros, a propósito, procurou o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, na última quinta-feira para pedir apoio para se manter na Saúde. O PP já não é tão unânime assim em torno dele.

Clique aqui e ouça o ministro na palestra da Caixa:

“Tivemos uma cota partidária. Mas vocês (governo) aceitaram que os partidos indicasse? Sim, aceitamos. Não há na história do Brasil um governo que tenha conseguido 88% do Congresso. E o Congresso é base do governo. Isso Vargas não teve, JK não teve, FHC não teve, Lula não teve, só nós que conseguimos. Porque mais de uma vez a habilidade política do presidente Temer. Lembram que quando começou a montagem do governo diziam: “Só queremos nomear ministros que são distinguidos na sua profissão em todo Brasil, os chamados notáveis. Aí nós ensaiamos a conversa de convidar um médico famoso em São Paulo, até se propagou que ele ia ser ministro da Saúde. Aí nós fomos conversar com o PP: ”O Ministério da Saúde é de vocês, mas gostaríamos de ter um ministro da saúde assim”. Aí demos um tempo para pensar. Depois eles mandaram o recado por mim: ”Diz para o presidente que nosso notável é o deputado Ricardo Barros”. Ai fui lá falei com o presidente: ‘Nós não temos alternativa’, nosso objetivo era chegar aos 88% (de apoio no Congresso). Até chegou mais do que imaginamos, mas queríamos ter uma base consistente. Muito bem, vamos conversar. “Vocês garantem todos os nomes do partido em todas as votações?” “Garantimos”. “Então o Ricardo será o notável”. No momento que a gente ver que não deu certo a gente demite. E ele está saindo muito bem, é um dos que está conseguindo fazer mais economia. Ele tem uma tem de economizar R$ 3 bi este ano, além do que ele cortou ano passado. Ele está como gestor. Apenas mostrar como conseguimos isso: com negociação política”.

Resposta de Padilha

Em nota, o ministro Eliseu Padilha afirmou que é “normal” que a base do governo seja formada com a participação no governo dos partidos que a integram.

Leia abaixo a íntegra da nota:

“Em todas as democracias do mundo é normal a constituição da base de sustentação pluripartidária com a participação dos partidos membros nos cargos de governo. É o caso! O PP é um dos partidos da base de sustentação do governo.

Eliseu Padilha