Moro no evento em NY ao lado da esposa Rosangela. Também na foto João Dória e a esposa – Reprodução redes

O juiz Sergio Moro minimizou, na manhã desta quarta-feira, as críticas que sofreu nas redes sociais por ter posado em uma foto ao lado de João Doria, ex-prefeito e pré-candidato tucano ao governo de São Paulo. A confraternização da dupla foi abordada pelo colunista Bernardo Mello Franco, que lembrou de quanto o juiz admitiu ter se arrependido de ter sido fotografado ao lado de Aécio Neves. O registro com Doria foi tirado na noite de terça-feira, quando Moro recebeu o prêmio de “Personalidade do Ano” da Câmara de Comércio Brasil-Estados Unidos, no Museu de Historia Natural em Nova York

“São circunstâncias diferentes, estar em um evento do social e tirar uma foto, não significa nada, acho uma bobagem isso” — disse ele, ao ser questionado sobre a foto, uma vez que ele havia dito no passado que se arrependeu de uma uma foto com o também tucano Aécio Neves, informou o Jornal O Globo.

Em discurso no prêmio “Person of the Year,  Moro afirmou que “apesar de dois impeachments presidenciais e um ex- presidente preso, não houve e não há sinais de rupturas democráticas” no Brasil.

O magistrado símbolo da Operação Lava Jato foi homenageado pela Câmara de Comércio Brasil-Estados Unidos com a premiação que é tradicionalmente concedida a personagens destacadas da iniciativa privada brasileira e americana.

“Nós construímos desde a independência um grande país. Livre e democrático desde pelo menos 1985. Estável politicamente há mais de trinta anos. Apesar de dois impeachments presidenciais e um ex-presidente preso, não houve e não há sinais de rupturas democráticas”, declarou, referindo-se aos ex-presidentes Fernando Collor, cassado em 1992, e Dilma Rousseff, cassada em 2016, e Luiz Inácio Lula da Silva, preso em 7 de abril deste ano por ordem dele próprio, Moro.

Durante o discurso, o juiz destacou o fato de executivos de grandes empreiteiras, da Petrobras e políticos terem sido julgados e presos no Brasil, o que, segundo ele, indica duas percepções.

Por um lado, o País não ter conseguido impedir “o mal uso do poder para ganhos privados” pode causar certa vergonha, avaliou Moro; por outro, no entanto, o avanço das investigações deve ser motivo de orgulho, em sua avaliação.

O magistrado afirmou, ainda, que é necessário “restaurar a confiança”. “Assim agindo também retomaremos a confiança do mundo em nosso país. Esse é um trabalho de todos, mas especialmente dos senhores e senhoras aqui presentes, empresários, intelectuais, lideranças em seus respectivos setores. Nada de baixar a cabeça, o futuro só pode ser visto olhando para acima do horizonte e então você precisa elevá-la.”