Por Elizangela Jubanski

A tortada na cara contra o gestor da área de transporte coletivo da cidade, Luiz Fila, durante a sessão da CPI da URBS, foi simbólica e não teve cunho de ameaça física. Foi o que afirmou à Banda B, o militante do Movimento Passe Livre (MPL), que não será identificado. “Ontem, depois de três horas ouvindo tantos argumentos que só os favorecem tomamos essa alternativa para chamar a atenção. A CPI da Urbs convoca para mesa os próprios investigados. Então, os investigadores se tornam os investigados. A mesa está composta por ex-técnicos da URBS,” aponta. A ação aconteceu na tarde desta segunda-feira (15) e suspendeu a sessão que acontecia na Câmara Municipal de Curitiba.

Depois da ação da jovem militante do Movimento que tem 24 anos, o grupo foi cercado pelos seguranças da Câmara. “Eles estavam nervosos, sofremos repressão e tentamos acalmá-los e explicamos que aquilo era um ato simbólico. Ninguém saiu machucado, não quebramos vidros, não jogamos rojão. A gente não fez um ato depredatório que colocasse em risco a vida de pessoas. Pelo contrário, foi um ato mais lúdico do que de agressão”, defendeu.

Ainda, sobre a atitude da militante, o integrante do Movimento afirmou que as ações da URBS em favorecer o lucro dos empresários e prejudicar milhares de trabalhadores é que são a verdadeira violência. “Não uma torta doce do rosto do diretor que está lá há mais de 30 anos”.

Denúncias

O MPL protocolou em 2010 uma ação junto ao Ministério Público do Paraná (MP-PR) que pede a impugnação da licitação sob a denúncia de que a URBS frauda o processo. “Essa licitação dividiu a cidade a três e três grupos assumiram, não havendo assim concorrência. Há muitos fatores sobre essa denúncia. O Fila, que foi chamado pela CPI, mas não na condição de ser inquirido, mas na condição de convidado para falar aquilo que ele quisesse. Ele está desde 1985 ocupando esse cargo e nunca saiu. É um absurdo uma pessoa estar há tantos anos favorecendo grupos. Por que a URBS não tem um bico de diesel com uma bomba contadora para contabilizar o gasto das empresas de ônibus? Se esse é a principal base de cálculos para a tarifa? Como eles não regulam isso? Eles acreditam nos empresários há 25 anos”, delata.

Outra indignação é sobre as planilhas de gastos, que, segundo o Movimento, não é exposta há três anos. “No contrato licitatório há uma cláusula em que diz que isso deve ser mostrado de três em três meses”, finaliza.

Nota de repúdio

A Urbanização de Curitiba S.A. (Urbs), responsável por gerenciar o transporte público de Curitiba, se manifestou por meio de nota, na manhã desta terça-feira (16), a respeito da ‘tortada’ na cara contra Luiz Fila, gestor da área de transporte coletivo da empresa, durante a sessão da CPI da URBS, que investia o preço das passagens de ônibus na capital.

“A Urbs repudia de forma veemente a agressão física e moral à qual seu funcionário foi submetido – no exercício de seu trabalho, prestando esclarecimentos de interesse público – dentro do plenário da Câmara Municipal de Curitiba. Um profissional de reconhecida competência nacional e que há várias décadas se dedica ao transporte coletivo. Nesse dia, na Casa do Povo, um cidadão, várias instituições, e a democracia foram gravemente agredidos, o que merece repúdio de toda a sociedade. Especialmente no tocante ao transporte coletivo este esforço do poder executivo municipal já se traduziu em várias iniciativas como audiência pública sobre reajuste tarifário, comissão aberta para análise da tarifa, já concluída, auditoria com participação da sociedade, além do irrestrito apoio à CPI do transporte público e à auditoria do TCE Paraná”, diz a nota.