Ministro Henrique Meirelles no Canal Livre – Reprodução

O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles  buscou minimizar os embates públicos que tem tido nas últimas semanas com o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ). Ambos são apontados como presidenciáveis e disputam o mesmo espaço, como possíveis candidatos de centro.

“Do meu ponto de vista, continua tudo na mesma linha de ação (com Maia). No processo em que (pré-candidatos) estão se colocando na disputa, é normal que surjam situações diversas”, afirmou o ministro em entrevista ao programa Canal Livre, da TV Bandeirantes, gravada na quinta-feira, 18, e exibida na madrugada desta segunda-feira, 22. “Para mim, está tudo equacionado (com Maia)”, disse.

Antes, Meirelles renovou sua aposta de que um nome de centro será o escolhido nas urnas. Segundo o ministro, existe uma preocupação de que os dois extremos (direita e esquerda) prevaleçam na disputa, o que considera “pouco provável”. “Existe um amplo espaço”, disse Meirelles.
É positiva participação de Lula na eleição, afirma Meirelles

O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, disse que a candidatura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva é “positiva do ponto de vista político e eleitoral”, por ser mais uma opção à escolha da população. O ministro ressaltou, porém, que a questão judicial é “outra coisa”.

Lula foi condenado em primeira instância no âmbito da Operação Lava Jato e terá recurso julgado na quarta-feira, 24, no Tribunal Regional Federal da 4ª Região, em Porto Alegre. Pela Lei da Ficha Limpa, condenados em segunda instância ficam inelegíveis.

“Acredito que, quanto mais candidatos disputarem a eleição, melhor, inclusive o presidente Lula. Do ponto de vista político e eleitoral, é positiva a participação de Lula, é mais uma opção para a população. Agora, outra coisa é a questão judicial”, disse o ministro, em entrevista ao programa Canal Livre, da TV Bandeirantes, gravada na quinta-feira, 18, e exibida no início da madrugada desta segunda-feira, 22.

Meirelles foi presidente do Banco Central nos dois mandatos de Lula, entre 2003 e 2010, e agora pode virar adversário do petista nas eleições – caso ambos confirmem suas candidaturas. O ministro da Fazenda ressaltou que, quando trabalhou no governo do petista, tinham visões diferentes sobre a economia, mas uma relação pessoal “cordial”. Meirelles também destacou que Lula sempre lhe deu autonomia para atuar como presidente do BC. “Fui independente”, assegurou.

O ministro confirmou que houve conversas, na campanha de 2010, para fazer dele o vice de Dilma Rousseff na chapa presidencial, mas ressaltou que a ideia (aventada por Lula) não foi para a frente. “Não houve aceitação minha, nem dela”, disse.

O ministro confirmou ainda ter recebido convite para assumir o Ministério da Fazenda no fim de 2015, no governo Dilma, após a saída de Joaquim Levy. “Aí sim houve convite formal, e achei que não era o momento, que de fato a situação para fazer tudo aquilo que achava necessário não era mais viável.”

O ministro falou sobre a Caixa quando enumerou as reformas feitas pelo governo Michel Temer, mas não fez nenhuma referência ao fato de que as indicações políticas partiram de aliados do presidente.

“Este governo está fazendo uma série profunda, importante e inédita de reformas na economia”, afirmou. Meirelles citou como exemplo a criação do teto de gastos, que está, segundo ele, fazendo os gastos em relação ao PIB recuarem e dando a confiança de que o governo será solvente e pagará suas contas no futuro. Outros benefícios da medida foram a redução de inflação e a queda dos juros, mencionou o ministro.

Meirelles também mencionou a recuperação no mercado de trabalho. Segundo ele, a expectativa é de que sejam criadas 2,5 milhões de novas vagas em 2018.