Manifestantes acompanharam chegada de Lula. (Foto: Flávia Barros – Banda B)

 

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva já chegou ao prédio da Justiça Federal, no bairro Ahú, em Curitiba, onde deve prestar depoimento ao juiz Sérgio Moro durante a tarde desta quarta-feira (13). Ele foi recebido por manifestantes, sob gritos de “Lula, guerreiro do povo brasileiro”.

O ex-presidente foi ovacionado e escoltado por militantes e lideranças petistas. Cerca de 300 apoiadores estão nos pontos de bloqueio feitos pela Polícia Militar, nas ruas próximas ao prédio da Justiça.

Lula chegou de carro, desceu para abraçar e cumprimentar os manifestantes, e voltou para o veículo. Aplaudido, ele passou por um corredor de petistas e policiais até a entrada da Justiça, que só pode ser acessada por quem tem audiências marcadas ou trabalha no local.

Em seguida, o grupo deve se dirigir à Praça Generoso Marques, no Centro da cidade. Policiais já se concentram no ponto, onde manifestantes a favor do ex-presidente e pessoas favoráveis à Operação Lava Jato e ao juiz Moro, que passavam pelo local, chegaram a se agredir verbalmente.

Um grupo de cerca de 100 militantes petistas e do Partido da Causa Operária (PCO) estão no local exibindo faixas de apoio a Lula e pedindo a anulação do impeachment da ex-presidente da República Dilma Rousseff.

 

 

O ex-presidente será interrogado em ação penal em que é acusado de crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro pelo recebimento de propinas da Odebrecht, de forma dissimulada, com a doação de um terreno de R$ 12 milhões para o Instituto Lula e de um apartamento de R$ 500 mil vizinho ao que ele mora, em São Bernardo do Campo (SP). O Ministério Público Federal sustenta que era contrapartida por contratos na Petrobras.

Lula foi condenado por Moro em julho no processo do triplex do Guarujá (SP) a 9 anos e 6 meses de prisão – ele recorre em liberdade – por receber propinas da OAS.

Além de Lula, Moro ouve nesta quarta-feira, 13, o depoimento do ex-assessor de Palocci Branislav Kontic. O ex-presidente será interrogado primeiro. Em maio, a audiência durou cerca de 5 horas.

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva chega à sede da Justiça Federal, em Curitiba (PR), nesta quarta-feira, 13. Lula vai prestar o segundo depoimento a Sérgio Moro em uma situação diferente da que enfrentou em maio, quando esteve pela primeira vez frente a frente com o juiz responsável pela Lava Jato na primeira instância. A amplitude da mobilização em apoio ao petista será menor. 13/09/2017 – Foto: GIULIANO GOMES/PR PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO

Manifestantes

O PT espera 5 mil pessoas para um ato em defesa do ex-presidente marcado para as 19h, na Praça Generoso Marques, na região central de Curitiba. Desde cedo, os cerca de 40 ônibus com manifestantes chegam à cidade. Os apoiadores concentram-se no local do evento e no entorno do prédio da Justiça Federal, que está bloqueado.

Cerca de 1 mil policiais fecharam as ruas de acessos às 19h30 e só moradores, imprensa e quem trabalha ou precisa ir ao fórum pode entrar no perímetro. Em maio, no primeiro depoimento de Lula, cerca de 10 mil pessoas invadiram Curitiba, para manifestações.

Eleições de 2018

De acordo com Antônio Carlos, membro da Direção Nacional do PCO e um dos líderes do ato na Praça Generoso Marques, se for esperar a eleição de 2018 e não for feito nada agora, “o Lula será preso e a participação da esquerda na eleição do ano que vem será inviabilizada”.

“O golpe não foi feito para durar só 18 meses. Todas as medidas que estão sendo adotadas pela direita não vão na direção de termos eleições democráticas no próximo ano. Pelo contrário, o que estamos vendo é cada vez mais uma ‘direitização’ e estreitamento do regime e uma perseguição não só ao Lula, mas à toda esquerda”, disse o dirigente.

Para Antônio Carlos, a política em curso caminha na direção de se colocar o Partido dos Trabalhadores na ilegalidade, “tirando da disputa a maior liderança do País”. “Não apoiamos o PT na última eleição, mas defendemos o direito de Lula ser candidato, que a maior liderança política não tenha seus direitos políticos cassados, ainda mais pela farsa da Operação Lava Jato”, disse.

Inocência

Perguntado pelo Broadcast Político (serviço de notícias em tempo real do Grupo Estado) se acredita em 100% na inocência do Lula mesmo diante das acusações feita ao petista pelo ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci, o diretor do PCO disse que “não se trata de um problema de inocência ou culpa”. “Se trata de olhar o que está por trás da campanha que é realizada contra o ex-presidente Lula”, afirmou, acrescentando que as delações ocorrem sob “verdadeiro terrorismo” e “estão sendo instrumentalizadas” para beneficiar os delatores que entregam o ex-presidente.

Ele ainda argumentou que nem Palocci nem os demais delatores apresentaram provas.

Vídeo

Assista abaixo ao momento da chegada de Lula, gravado pela repórter da Banda B Flávia Barros: