Lula na sede do PT – Ricardo Stuckert

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta segunda-feira, 22, que viajará a Porto Alegre nesta terça-feira, 23, véspera do julgamento de seu recurso no TRF-4 pela condenação no processo do tríplex do Guarujá.

“Amanhã (terça) vou a Porto Alegre agradecer a solidariedade do povo que está se manifestando”, declarou Lula em encontro com sindicalistas realizado no Instituto Lula, na zona Sul da capital paulista.

Mas a direção do PT fez questão de ressaltar que Lula deixará a cidade ainda hoje, terça-feira, para evitar a impressão de afronta ao Judiciário e incitação à violência. Ele deve acompanhar o julgamento da sede do PT em São Bernardo do Campo nesta quarta.

O julgamento é cercado de grandes expectativas, já que o ex-presidente pode ser impedido de disputar a eleição presidencial deste ano, caso o TRF-4 mantenha a acusação proferida pelo juiz Sérgio Moro, na primeira instância.

Durante o encontro, Lula indicou estar confiante na sua absolvição. “Não é a primeira vez nem a última que estamos juntos”, disse o ex-mandatário.

Lula ainda afirmou que pretende realizar uma caravana pelo Rio Grande do Sul a partir de 27 de fevereiro.

Forças Armadas

Em meio à tensão nas ruas de Porto Alegre, o ministro da Defesa, Raul Jungmann (PPS), afirmou nesta segunda-feira, 22, que as Forças Armadas estão a postos. Em entrevista à Rádio Pernambucana, Jungmann assegurou que existe “pessoal de pronto emprego para qualquer emergência”.

“Estamos prontos e atentos”, disse o ministro ressaltando, entretanto, que o esquema montado pelo governo do Estado Rio Grande do Sul e os acordos firmados com os movimentos permitirá a tranquilidade no dia do julgamento. Durante entrevista, Jungmann também defendeu o direito de mobilização dos manifestantes pró e contra o ex-presidente, mas de forma ordeira “Há lugar para protesto, manifestar opinião, mas dentro da ordem, com respeito às pessoas e à propriedade”, disse.

O ministro também criticou as recentes declarações da presidente nacional do PT, senadora Gleisi Hoffmann. Na semana passada, a líder petista afirmou que “para prender Lula, vai ter que prender muita gente, mas, mais do que isso, vai ter que matar gente”. Segundo Jungmann, as declarações incitam a desordem e devem ser combatidas pelos órgãos de Justiça. “Quem faz isso evidentemente está incitando a desordem e aí o Ministério Público e Justiça têm que agir. Só entramos em ação quando há colapso”, explicou.