Da CMC

O prefeito de Curitiba, Rafael Greca, disse aos vereadores nesta quarta-feira (1º), na primeira sessão plenária do ano, que sua primeira mensagem à Câmara Municipal será “inusitada”. “Podem pensar porque é um prefeito gordo, porque é guloso, mas eu vou pedir para salvar 400 toneladas de feijão”, adiantou. Segundo ele, o alimento perecível destinado à venda nos Armazéns da Família irá vencer antes de ser vendido à população cadastrada no programa social.

A ideia, completou Greca, é que os vereadores autorizem a venda do feijão em estoque ao restante da população e para que o produto seja servido nos Restaurantes Populares. Sobre outras ações do que chamou de “recuperação financeira” da prefeitura, o chefe do Executivo municipal declarou: “Fiquei pensando. Se correr o bicho pega, se ficar o bicho come, se olhar de frente o bicho some. Vou olhar de frente para a dívida [anunciada nesta semana em R$ 1,27 bilhão]. Vou pedir que a Câmara olhe de frente”.

Greca esteve na CMC nesta quarta-feira (Foto: Divulgação)

O prefeito não detalhou as medidas que o pacote de ajuste fiscal trará, mas adiantou que será refeita a “relação da prefeitura com o IPMC [Instituto de Previdência dos Servidores do Município de Curitiba]” e que os pagamentos serão “equacionados”. Quanto à folha de pagamento com o funcionalismo público municipal, Greca afirmou que “não é possível que a cidade seja taxada em R$ 305 milhões por mês por uma burocracia que se torne insensível, impiedosa e surda aos interesses da população”.

O chefe do Executivo acrescentou que “nós temos a obrigação de trabalhar, a obrigação de servir, a obrigação de perguntar: ‘o que eu preciso fazer para a minha cidade?’. E não quanto eu vou ganhar, quanto vai ser minha progressão, qual vai ser meu plano para avançar adiante”. “Temos que ser criativos na crise, operosos na dificuldade e firmes em nossos propósitos. Virtude pede cautela, mas pede sobremaneira arrojo”, completou o prefeito de Curitiba.

Líder do governo municipal na Câmara, Pier Petruzziello (PTB) declarou que a expectativa é votar mensagens urgentes do Executivo até o feriado de carnaval, dia 28 de fevereiro. “Esta Casa não faltará às responsabilidades com a cidade. Entendemos que o momento é difícil”, afirmou o presidente do Legislativo, vereador Serginho do Posto (PSDB), que anunciou à imprensa metas de austeridade da gestão. “Temos que nos empenhar com muita responsabilidade, responder aos anseios da população curitibana”, acrescentou.

“Não sou higienista”

O prefeito Rafael Greca participou também disse, durante a sessão, que já “está funcionando a todo vapor”, comentou, sobre o internamento após posse. Dentre avanços defendidos, ele falou sobre a política de resgaste social: “Parem com essa bobagem de dizer que sou higienista, que não sou humanitário”.

Para Greca, não há moradores de rua, e sim “moradores abandonados nas ruas”, “pessoas que ainda não acolhemos” e “pessoas esquecidas de um serviço social relapso”. “O modelo tem que ser reconvertido à velha ideia cristã do albergue noturno, da irmã de caridade que sabia sua casa para acolher”, acrescentou.

“Ontem renascemos pela água”, disse o prefeito, sobre a lavagem do calçadão da rua XV de Novembro, nessa terça-feira (31). “A rua XV hoje está limpa das fezes humanas há vários anos infelicitavam a cidade. Ela é um espaço de respeito a 250 mil pessoas, que segundo dados do Ippuc todos os dias vão e voltam [por ali].” Segundo Greca, a ação será ampliada a outros locais. “Vamos sim retomar a limpeza pública. Quando há sanidade, não há dengue, chikungunya, febre amarela. As pragas do Egito.”

O prefeito citou, ainda, o trabalho da Guarda Municipal nos cemitérios e no retorno às aulas, nas escolas da prefeitura; da retomada das obras na Unidade de Saúde Jardim Aliança; e do desenvolvimento do aplicativo contra fila de espera no SUS municipal, dentre outros projetos. “Nós demos prioridade à saúde. R$ 80 milhões foram entregues aos hospitais de pronto.”

Liderança do prefeito

Líder do prefeito na Casa, Pier Petruzziello (PTB) fez o discurso de saudação a Rafael Greca. Ele agradeceu a confiança do chefe do Executivo e de sua equipe. “Fico honrado porque sei que os vereadores quando consultados entenderam que meu nome seria adequado para o momento”, apontou. “A Câmara de Curitiba é outra e eu não poderia deixar de fazer menção aos dois ex-presidentes [Paulo Salamuni e Ailton Araújo], que tomaram medidas amargas, de austeridade, e passaram o Legislativo a limpo.”

“Cada um de nós tem suas bandeiras, mas temos que cuidar da população e da cidade”, cobrou Pier. “No mundo em que alguns governantes buscam construir muros e a segregação, Curitiba vai construir pontes. E não me refiro às pontes do secretário [de Obras] Eduardo Pimentel [também vice-prefeito], mas às pontes do diálogo, da coerência, que prevalecerão entre a Câmara e o Palácio 29 de Março”, indicou o líder. Petruzziello completou que “estamos sim vivendo uma crise, e é neste momento que temos que sair do discurso e ir para a prática, melhorando nossa cidade”.