Redação

Reunião na manhã desta sexta entre governo e professores – Foto: Banda B

O secretário da Casa Civil do Estado do Paraná, Valdir Rossoni, afirmou, categoricamente, que o Governo não vai recuar das mudanças que anunciou na distribuição de aulas na rede pública de ensino e garantiu que, se houver greve, os dias serão descontados e as progressões salariais previstas serão canceladas. Em clima tenso, a posição do Governo foi anunciada durante reunião com representantes da APP – Sindicato, Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública do Paraná, nesta manhã, no Palácio Iguaçu.

‘É uma decisão de Governo e está implantada. Não vamos recuar de forma alguma. Quanto a ameaça de greve já aviso, de forma clara, que os dias serão descontados. A caneta está pronta. E caso as aulas não comecem normalmente, vamos deixar de implantar as progressões atrasadas para toda a categoria. O que tenho a dizer é que o governo quer o diálogo, mas a APP só quer o embate por razões políticas. Não representa a vontade da maioria dos professores”, afirmou Rossoni.

O governo Richa quer os professores mais presentes nas salas de aula e, para isso, diminuiu a chamada hora-atividade, que é o período que os professores passam fora da sala, preparando aulas e se qualificando. Segundo a APP, com cálculos baseados no tempo de duração de aula em 50 minutos, para cada 20 aulas, 7 aulas correspondiam como hora-atividade (até o ano passado). A legislação estabelece hora-atividade de 33%. Ou seja, 33% de 20 aulas (hora-aula) são 7 aulas, e não 5, como quer o governo agora.

Outra medida que desagrada a categoria é que para 2017, tornam-se proibidas a atribuição das aulas extraordinárias aos(às) professores(as) e PSS afastados(as) por motivos de doença e outros, por 30 dias ou mais (consecutivos ou não) em 2016.

Dezenas de professores aguardavam do lado de fora do Palácio o término da reunião. A APP-Sindicato vai analisar o posicionamento do governo e uma greve da categoria já no início do ano letivo não está descartada.

“Intransigência”

Para Hermes Brandão, da APP-Sindicato, o governo trabalha de forma autoritária e sem ouvir os servidores. “O governo mantém uma intransigência e uma irregularidade na forma de distribuição de ano letivos para o calendário 2017 Lamentamos profundamente, porque o governo inicia o ano letivo com os professores indignados e uma educação com problema de qualidade”, disse.

Questionado sobre uma possibilidade de greve, Brandão disse que uma assembleia decidirá isso. “Os professores vão decidir isso no dia 11 de fevereiro. Infelizmente, mais uma vez o governo toma essas medidas sem pensar nos servidores e na população do Paraná”, concluiu.

Professores aguardavam o fim da reunião do lado de fora

Ocupação

Nesta quinta-feira, 27, centenas de professores da rede estadual de ensino do Paraná fizeram uma manifestação, em frente a Secretaria de Estado de Educação, no Água Verde, que resultou na ocupação do prédio da secretaria. Após uma liminar da Justiça, os professores desocuparam o local por volta das 20h30, após um dia todo de protesto.

O juiz determinou a desocupação imediata sob pena de multa diária de R$ 50 mil. Também foi autorizado o uso da força policial para retirar os manifestantes, o que não foi necessário.

A direção da APP ressaltou que em nenhum momento os funcionários da Seed foram impedidos de entrar no local. “Não impedimos o acesso de nenhum funcionário. Todos puderam trabalhar normalmente. Vamos desocupar o prédio e recorrer desta decisão pois o juiz foi induzido ao erro pelo governo”, afirmou o secretário de comunicação da APP, Celso Santos.