Redação

A senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR) diz que ficou “espantada” com a denúncia de que foi acusada pelo ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa de receber R$ 1 milhão, oriundos de desvios na estatal, para sua campanha ao Senado, em 2010. A denúncia foi publicada na edição de domingo (19) pelo Jornal O Estado de São Paulo. Em entrevista à Banda B nesta terça-feira (21), a senadora negou de forma veemente qualquer ligação tanto com Costa quanto com o doleiro Alberto Yousseff, um dos presos da Operação Lava-Jato.

gleisi banda bSenadora Gleisi Hoffmann – Foto: Ag. Senado

“Não recebi esse dinheiro e não conheço nenhum desses cidadãos. Quando saiu a notícia fiquei espantada. É uma notícia falsa e já estou tomando providências judiciais em relação ao Jornal O Estado de São Paulo. Também já estou requerendo o acesso ao depoimento de Paulo Costa e vou acioná-lo por essa denúncia sem provas. É apenas um relato que envolve o meu nome e, mesmo não comprovado e não vai ser, o estrago foi feito”, afirmou Gleisi em entrevista a Adilson Arantes e Denise Mello.

Sobre a informação de que a bancada de oposição na CPMI da Petrobras deve apresentar um requerimento nesta quarta-feira (23) pedindo sua convocação para depor, sob a articulação do deputado Fernando Francischini (SD-PR), a senadora disse que não tem nada a esconder, mas questionou o que chamou de “valentia seletiva” do deputado paranaense.

“Não tenho problema de falar sobre este assunto porque não conheço essas pessoas e não recebi este dinheiro. O que questiono é essa “valentia seletiva” do deputado Francisquini comigo. Quando divulgaram o nome de dezenas de deputados federais, incluindo um colega de partido dele, o Luiz Argôlo, e o atual presidente da Câmara [Henrique Eduardo Alves, PMDB-RN], ele não falou em convocar ninguém. E ele está dizendo que tem mais informações porque é amigo do juiz. Ora, ele tem que vir a público para dizer que informações são essas para não parecer um achaque”, disse Gleisi.

A senadora também negou a acusação de deputados da oposição de que teria dificultado a instalação da CPI da Petrobras em razão de ter medo de que denúncias como essa publicada pelo jornal O Estado de São Paulo viessem à tona. “Eu era contra a CPI não para que não aparecessem coisas, mas porque não ia dar certo, como não está dando. Hoje, a CPI não tem informações. Tudo está sendo investigado pela Polícia Federal e vem por processo judicial. O que eu dizia lá atrás era que seria necessário esperar a investigação para depois fazer a CPI. Do contrário, iríamos montar a CPI e não ia dar em nada, só serviria para palco político como está servindo (…) Mais do que ninguém tenho interesse que isso tudo se esclareça. Quem tem responsabilidade tem que responder por ela”, completou a petista.

Por fim, Gleisi afirmou que não há dúvidas de que as acusações têm motivações políticas, especialmente por sua proximidade com a presidente Dilma Rousseff (PT), de quem foi ministra por quase três anos. “Do jeito que essas denúncias vazaram, só posso acreditar que exista interesse político. O governo não teve acesso aos depoimentos, mas o Judiciário precisa tomar providência em relação a como essas informações seletivas estão vazando nas vésperas da eleição (…) Se o processo corre em segredo de justiça, não pode ocorrer o vazamento e a Justiça precisa tomar providências”, concluiu a senadora.

Campanha ao governo

Gleisi também comentou o terceiro lugar na eleição ao governo do Paraná, quando obteve 14,8% dos votos. Disse que o fato de ter se voltado por quase três anos à agenda da Casa Civil, provocou seu afastamento do Paraná.” Isso foi subestimado e colaborou muito”. A petista também apontou como decisivo para sua derrota o “ataque sistemático” do governador Beto Richa de que ela teria inviabilizado os empréstimos ao estado. “Isso me prejudicou muito, mas hoje o governador anuncia que vai promover o corte de 30% no custeio, o que comprova que estávamos certo. Se com empréstimos liberados a situação financeira continua ruim, isso vem comprovar que ele não tinha razão. O problema é que a eleição já passou”, completou Gleisi.