Da Redação com CMC

Em meio a protestos de grupos feministas contrários ao projeto, a votação do ônibus exclusivo para mulheres foi adiado por 50 sessões na manhã desta terça-feira (17) na Câmara Municipal de Curitiba. A proposta do popular “Panterão” determina às empresas concessionárias a reserva de 20% da frota, em dias úteis e nos horários de pico, às mulheres que utilizam o sistema. Com o adiamento, a matéria só volta à pauta da Câmara no final do segundo semestre. A sessão foi acompanhada por representantes de movimentos femininas e estudantis.

Foto: Andressa Katriny/CMCFoto: Andressa Katriny/CMC

Segundo o autor da proposta, vereador Rogério Campos (PSC), a decisão de adiar a votação foi tomada porque não havia clima para o debate. “A ideia é usar as 50 sessões para discutir o projeto junto à Prefeitura de Curitiba. Quem sabe podemos colocar um ‘ônibus piloto’ nas ruas, para identificar a situação das mulheres no transporte coletivo”, disse.

Diversos vereadores defenderam a derrubada do requerimento para garantir a votação durante a sessão, entre eles, o líder do prefeito na Câmara, Pedro Paulo (PT). “Fizemos um compromisso de apreciar a matéria. É um compromisso feito pela Casa. É critério para continuarmos essa sessão. Acho importante debater. Adiar por 50 sessões é muito tempo, é melhor retirar a matéria”, disse.

Contrária ao adiamento, Julieta Reis (DEM) também destacou que o projeto de lei é inconstitucional. “Não podemos estabelecer um sistema de apartheid em Curitiba. Queríamos votá-lo hoje para votar contra. Se fosse aprovado, certamente ele seria vetado pelo prefeito e teríamos que aprovar o veto”, defendeu.

O debate foi acompanhado por representantes de 10 movimentos sociais, como Marcha Mundial das Mulheres, Levante Popular da Juventude, Marcha das Vadias e movimento LGBT. Com faixas, camisetas e cartazes, alguns pediram a retirada da proposta – considerada segregadora e machista – enquanto outros defenderam sua aprovação.