Por Felipe Ribeiro

O segundo turno polarizado entre os candidatos Dilma Rousseff (PT) e Aécio Neves (PSDB) vem causando um efeito diferente na sociedade brasileira em 2014. As divergências explicitadas entre os pólos têm causado verdadeiros discursos de ódio, principalmente no ambiente das redes sociais, onde até mesmo amizades de anos tem chegado ao seu fim. Em entrevista ao jornalista Adilson Arantes nesta quarta-feira (22), o cientista político da Universidade Federal do Paraná, Emerson Cervi, disse crer que o principal motivo para o acirramento do debate neste ano é o efeito midiático pós manifestações de junho de 2013, onde a impressão que fica para o eleitor é a de que nada da política é bom.

eleicoesacirradasFoto: Reprodução

“Na ciência política conseguimos perceber que esse acirramento é muito mais visível nas eleições municipais devido à proximidade com o eleitor do candidato. Nesta campanha presidencial, porém, podemos explicar este fenômeno pelo último ano informativo em que a política é colocada como local de apenas coisas ruins, principalmente devido às denúncias de escândalos a nível federal”, afirmou.

Segundo o professor, o acirramento fica claro com a aproximação do pleito, principalmente ao mostrar que os corruptos estão por todos os lados, até mesmo fora dos partidos políticos. Outro fator apontado por Cervi é o uso cada vez mais frequente das redes sociais, que permite a pessoas diferentes expressarem suas opiniões. “Com uma posição polarizada, é mais fácil expressar a preferência e todos tendemos a ter uma posição mais radical. Nisso ao invés de nos aproximarmos dos pontos de convergência, acabamos explicitando as divergências, parecendo que vivemos em outro mundo”, disse.

De acordo com o professor, um cientista político da década de 1970 definiu este tipo de comportamento como “Eleitor Torcedor do Flamengo”, onde o ser humano tente a exaltar as qualidades do próprio candidato e os defeitos do adversário. “É um comportamento de torcedor fanático que já existe há anos, mas que aumentou em número e proporção e chegam até a nos assustar”, concluiu.

Nas redes sociais, o fenômeno pode ser muito observado em páginas dos grandes meios de comunicação do país, onde o relato de uma notícia provoca intensas discussões diariamente.