O ex-prefeito de Curitiba, Luciano Ducci (PSB), declarou nesta sexta-feira que o prefeito Gustavo Fruet (PDT) dá sinais claros que nunca quis um metrô para Curitiba e para não fazer a obra está disposto a um gesto extremo: jogar pela janela R$ 1 bilhão. Dinheiro garantido pelo governo federal a fundo perdido e uma verba que Curitiba receberia para investir no seu metrô, sem necessidade de ressarcir os cofres federais.

Para Ducci, se Fruet mudar o projeto que recebeu pronto, esse dinheiro estará perdido. “Seria necessário, e apropriado, que o prefeito viesse a público e dissesse aos curitibanos os motivos reais para ser contra a construção de um metrô em Curitiba”, cobrou Ducci. “A única coisa que fica evidente é que a obra, por um motivo ou por outro, não será realizada. A cada momento ouvimos argumentos diferentes apresentados pelo prefeito para não fazer o metrô, uma obra com a qual os curitibanos sonham a mais de 30 anos”, completou.

O prefeito Gustavo Fruet e seus assessores nunca são claros, sempre são sinuosos e evasivos quando o assunto é o metrô. “Primeiro era o traçado que não servia. Agora, o traçado é o mesmo e ficou bom. Mas agora inventaram outro problema, a técnica de escavação, que não serve. São desculpas para confundir a população antes de enterrar de vez o metrô”, afirmou.

Segundo Fruet a técnica “cut and cover” (“cavar e cobrir”), prevista no projeto do metrô curitibano (apontado pela presidente Dilma Rousseff como o melhor do Brasil quando anunciou a liberação do dinheiro para o nosso metrô), não serve para Curitiba. Para Luciano Ducci, esse argumento é estranho, porque esse processo, assim como o Método NATM, também previsto no projeto, são utilizados na maioria das obras de metrô pelo mundo todo. Entre eles em São Paulo e Madri, por exemplo.

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Segundo Luciano Ducci, o sistema construtivo shield, defendido pelo prefeito Fruet e assessores, é significativamente mais caro. O shield tem vantagens reconhecidas, como menor transtorno nas áreas vizinhas a obra. O problema, óbvio, é o seu custo, muito maior. “Com esse sistema que o atual prefeito quer, os recursos que conseguimos a duras penas junto ao governo federal, depois de dezenas de reuniões com ministros e técnicos do governo federal, serão mesmo insuficientes. Mas parece que inviabilizar a obra, fazer com que tudo o que avançamos para construir o metrô volte para a estaca zero, é exatamente o que o prefeito quer. A questão que o curitibano deveria se perguntar – e o prefeito deveria esclarecer – é o porquê isso acontece, uma vez que o projeto proposto é tecnicamente viável”, assegurou Ducci.

O projeto do metrô, elaborado pelo Consórcio NovoModal – responsável técnico pelo estudo, foi viabilizado, acompanhado e aprovado em parceria com a Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU), órgão do governo federal, por meio de um convênio com a prefeitura. O projeto ainda foi analisado e selecionado, no âmbito do PAC 2 – Mobilidade das Grandes Cidades, pela Secretaria de Transporte e da Mobilidade Urbana do Ministério das Cidades.

Outra crítica que não faz sentido é a do orçamento desatualizado. O custo foi orçado em 2010, quando foi executado o projeto, mas foi atualizado antes da elaboração do edital de licitação que prevê uma parceria pública privada para a construção e operação da linha por aproximadamente 30 anos. “O problema é que o sistema de escavação que o prefeito quer encarece o projeto. O equipamento é caro, pois normalmente é montado para apenas uma obra e a máquina deve atender as características do tipo de solo escavado”, explica Ducci.
Além disso, complementa o ex-prefeito, seria necessário mudar a profundidade estabelecida para a linha, por questão de segurança, para evitar a instabilidade do solo acima do túnel. Isso provocará também um aumento significativo no custo de implantação das estações que terão de ser mais profundas, além de aumentar a distância a ser percorrida pelos usuários entre a superfície e a plataforma de embarque e desembarque.

Para mudar o método de escavação, a atual administração precisaria elaborar um novo projeto estrutural, pois as dimensões e o formato do túnel serão diferentes. “Diante dessas condições técnicas, fica muito evidente que o prefeito Gustavo Fruet quer mesmo inviabilizar a obra”, finalizou Ducci.