Por Felipe Ribeiro e Juliano Cunha

Foto: Danaê Bubalo - Banda BPlenário é ocupado desde ontem (Foto: Danaê Bubalo – Banda B)

Deputados estaduais da base aliada do Governo do Estado voltaram a apresentar na tarde desta quarta-feira (11) o requerimento de comissão geral para a votação do “pacotaço” de redução de custos. A sessão aconteceu a portas fechadas no quinto andar da Assembleia Legislativa do Paraná (Alep), já que o plenário está ocupado por manifestantes, principalmente professores ligados à APP Sindicato.

De acordo com o presidente da Casa, deputado Ademar Traiano (PSDB), o momento é crítico, mas a sessão teria que acontecer normalmente pelo calendário legislativo. “Recebemos o requerimento do líder do governo novamente e convocamos para amanhã a pauta do dia. O primeiro ponto será novamente a conversão do plenário em comissão geral”, disse.

IMG-20150211-WA0008 (1)Sessão desta tarde foi em sala anexa (Foto: Banda B)

Sete deputados de oposição decidiram não participar da reunião desta quarta. De acordo com nota divulgada pelo líder Tadeu Veneri (PT), a sessão representa um atentado à participação popular no processo legislativo estadual. “A ação é resultado da falta de diálogo e intransigência do governo Beto Richa (PSDB) e da base aliada na Alep na condução do processo que visa a aprovação do pacote de maldades. A realização de sessão plenária em local que não seja o plenário, sem a participação popular, aumenta o impasse e potencializa a tensão entre o governo e os trabalhadores”, afirma a nota.

Segundo o líder do Governo, Luiz Cláudio Romanelli (PMDB), as mudanças em relação ao primeiro projeto garantem aos professores que nada será mudado com a aprovação. “Eu respeito os movimentos sociais, respeito a democracia, mas fechar o parlamento é uma afronta a ela. Todos os direitos aos professores estão mantidos, mas infelizmente estamos tendo de enfrentar isso”, comentou.

Reintegração de posse

A Procuradoria Geral do Estado do Paraná conseguiu durante a madrugada um mandado de reintegração de posse para que os manifestantes desocupem o prédio da Alep. O presidente da APP Sindicato, porém, se recusou a assinar o requerimento e os manifestantes se negam a deixar o espaço.

Segundo o presidente Traiano, a determinação da Casa é a de que a Polícia Militar não use a força para retirar os manifestantes.

Ocupação

O plenário e alguns corredores da Alep foram ocupados no final da tarde de ontem, no momento em que centenas de servidores derrubaram a cerca do local e invadiram em massa as instalações. Os deputados tiveram que correr para uma sala anexa e ficaram acuados por cerca de 20 minutos, até a Polícia garantir a saída de todos do plenário.

Os servidores passaram a noite no plenário e garantem que só saem se o governo retirar da pauta os projetos que prevêem mudanças no funcionalismo. O sistema de ar condicionado foi desligado e o calor é grande dentro do prédio.