Por Denise Mello*

O ex-deputado federal Eduardo Cunha se negou terminantemente a fazer qualquer exame que comprovaria o suposto aneurisma que alegou possuir em depoimento ao juiz Sérgio Moro, durante depoimento nesta terça-feira (7). A informação foi repassada hoje pelo  Diretor do Departamento Penitenciário do Paraná, Luiz Alberto Cartaxo de Moura. “O custodiado (Cunha) foi convocado nesta quarta-feira a realizar exames que comprovariam se ele de fato é  portador da enfermidade alegada de um aneurisma. No entanto, Cunha se negou terminantemente a fazer os exames. A negação foi feita, inclusive, diante dos médicos do Complexo Médico Penal de Pinhais”, afimrou Cartaxo.

Segundo o diretor, essa foi a segunda vez que o custodiado nega a comprovação da doença. “No dia 21 de dezembro, ao informar ao corpo médico de Pinhais ser portador deste suposto aneurismo, foi solicitado à família de Cunha exames que comprovariam a doença, no entanto, houve sempre a negativa da entrega desses exames. Vale ressaltar que a negativa em fazer os exames configura infração leve e Cunha deverá sofre uma pena estabelecida em sua ficha pelo conselho disciplinar”, disse o diretor.

A negativa de realização dos exames será informada ao juiz Sérgio Moro, acrescentou o diretor. A defesa de Cunha ainda não se manifestou sobre a decisão de não fazer os exames.

Depoimento

Após depor por três horas perante o juiz Sérgio Moro, na Justiça Federal em Curitiba, o ex-presidente da Câmara e ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB) leu uma carta de próprio punho na qual afirma que tem um aneurisma e que não tem condições de se tratar na prisão onde está detido atualmente.

Foto: Agência Câmara

A audiência da tarde desta terça-feira foi o primeiro interrogatório do peemedebista diante de Moro. Até então, Cunha havia adotado o silêncio como estratégia. Oficialmente, ele não deu qualquer sinal à Polícia Federal e Ministério Público Federal de que quer colaborar com as investigações. Mas logo após ser preso, contrato o criminalista Marlus Arns, de Curitiba, responsável por algumas das delações da Lava Jato.

Nesta ação, a segunda em que Cunha é réu na Lava Jato, o deputado cassado é acusado de ter recebido em suas contas na Suíça propinas de ao menos R$ 5 milhões referentes à aquisição, pela Petrobrás, de 50% do bloco 4 de um campo de exploração de petróleo na costa do Benin, na África, em 2011.

O negócio foi tocado pela Diretoria Internacional da estatal, cota do PMDB no esquema de corrupção.

O Ministério Público Federal sustenta que parte destes recursos foi repassada para Cláudia Cruz, mulher de Eduardo Cunha, também em contas no exterior – a transação está sendo investigada em outra ação, específica contra a mulher do peemedebista.

  • com Estadão