Redação com Agência Câmara e Gazeta do Povo

gleisi e bernardoGleisi e Paulo Bernardo

Em uma autêntica guerra de requerimentos, oposição e governo travaram uma disputa nesta quarta-feira (22) para ver quem conseguiria aprovar o maior número de convocações para depor na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) da Petrobras. Na queda de braço, onze requerimentos foram apresentados, mas nenhum foi votado por falta de quórum. Entre os nomes apresentados para prestar esclarecimentos sobre denúncias da Operação lava-Jato estão os de quatro paranaenses: dois do PT, a senadora Gleisi Hoffmann e o ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, e dois do PSDB, o senador Alvaro Dias e o deputado federal Luiz Carlos Hauly.

alvaroAlvaro Dias

O deputado Afonso Florence (PT-BA) apresentou requerimento para convocar o presidente do PSDB e candidato à Presidência da República, senador Aécio Neves (PSDB-MG), para falar sobre propina de R$ 10 milhões que teria sido dada ao ex-presidente da legenda Sérgio Guerra, falecido em março deste ano. O dinheiro, segundo o ex-diretor de Abastecimento da estatal Paulo Roberto Costa, seria para a paralisação de uma CPI da Petrobras no Senado em 2009. “Temos de dar oportunidade ao presidente do partido vir se defender”, afirmou o parlamentar.

Em seguida, o deputado Izalci (PSDB-DF) disse que apresentaria requerimento para convocar o coordenador da campanha do PT em 2010, Antonio Palocci, a fim de explicar o pedido de R$ 2 milhões para abastecer a campanha naquele ano.

A senadora Gleisi Hoffmann foi alvo de dois requerimentos, um do deputado paulista Carlos Sampaio (PSDB) e outro do paranaense Fernando Francischini (SDD). Sampaio também foi autor do pedido para ouvir Paulo Bernardo, marido da senadora. De acordo com reportagem do jornal O Estado de S. Paulo, o ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa disse ao Ministério Público Federal que o esquema de corrupção na estatal destinou R$ 1 milhão para campanha da petista ao Senado, em 2010. Gleisi e Bernardo negam qualquer envolvimento no caso.

haulyLuiz Carlos Hauly

Já o deputado Afonso Florence (PT-BA) apresentou os requerimentos para ouvir Alvaro e Hauly. Em depoimento prestado na segunda-feira à Polícia Federal, o laranja do doleiro Alberto Youssef na Labogen (laboratório com contratos no governo),Leonardo Meirelles, disse que Yousseff tinha contato com o ex-presidente nacional do PSDB,Sérgio Guerra, e também com outro tucano descrito como “padrinho político do passado” e“conterrâneo” de Youssef, que é de Londrina, assim como Alvaro e Hauly. Alvaro e Hauly também negam qualquer envolvimento no caso.

Yousseff só depois da eleição

Na reunião da CPMI, o presidente do colegiado, senador Vital do Rêgo (PMDB-PB), anunciou para a próxima quarta-feira (29), às 14h30, a vinda do doleiro Alberto Youssef, preso na operação Lava Jato, da Polícia Federal. “Já foi acertada a logística da vinda do Alberto Youssef para falar na CPMI em 29 de outubro.”

Estava prevista para esta quarta a audiência com o diretor de Abastecimento da Petrobras, José Carlos Cosenza, que apresentou atestado médico de hipertensão para justificar sua ausência. “Ele colocou-se à disposição para comparecer em outra data”, afirmou o presidente da comissão.

Consenza substituiu Paulo Roberto Costa, que saiu da Petrobras em abril de 2012. Costa foi preso na Operação Lava Jato por suspeitas de superfaturamento e lavagem de dinheiro na estatal. Após acordo de delação premiada, o ex-diretor passou a cumprir pena domiciliar.

No requerimento de convocação, o deputado Rubens Bueno (PPS-PR) cita reportagens divulgadas pela imprensa para justificar o depoimento de Cosenza. Segundo uma delas, Costa teria continuado o esquema de corrupção na Petrobras por intermédio do atual diretor.

Ainda não foi marcada nova data para o depoimento de Cosenza.