Por Denise Mello e Adilson Arantes

Para rebater a entrevista da senadora Gleisi Hoffmann (PT) na Banda B ontem (21), com críticas sobre a possibilidade da Copel reajustar em 30% a tarifa de energia no Paraná, o presidente do setor de distribuição da Companhia, Vlademir Dalefe, garantiu nesta quinta-feira (22), ao vivo, que a empresa não fez nenhum pedido de reajuste à Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). Porém, segundo ele, se o aumento vier, a responsabilidade não será da Copel.

“A senadora deve estar mal informada ou pretende confundir a opinião pública. A Copel não pediu nenhum reajuste para a Aneel. O que acontece é que a Copel informa os custos dos contratos de compra de energia à Agência. Em abril, por exemplo, para atender as necessidades do estado a Copel teve que pagar o dobro do preço no leilão gerido pelo governo federal; ou seja, não foi pedido nenhum aumento mas, se ele vier será decorrente dos contratos de compra de energia”, explicou o presidente.

Ontem, Gleisi fez duras críticas ao governo do Paraná sobre o pedido de reajuste de 30% que, segundo ela, foi feito pela Copel e está previsto para entrar em vigor no dia 24 de junho. “Fiquei assustada quando soube essa semana que a Copel fez um pedido para aumentar em 30% a tarifa de energia. O próprio presidente da Copel reafirmou que vai pedir o aumento e isso não tem justificativa. O Paraná não quis aderir ao projeto da presidente Dilma para antecipar a renovação dos contratos de concessão e agora o governo apresenta este índice de reajuste? É um grande absurdo”, afirmou Gleisi.

Na segunda-feira (19), o Jornal Valor Econômico publicou reportagem apontando que o reajuste da Copel deverá ser um dos maiores concedidos neste ano entre as distribuidoras do país, de acordo com um levantamento feito pelo consultor Paulo Steele, da TR Soluções. Em entrevista ao Valor PRO, serviço em tempo real do Valor, o presidente da companhia, Lindolfo Zimmer, não teria adiantado qual será o aumento pedido, mas também não teria descartado a possibilidade de que seja da ordem de 30%.

Hoje, na Banda B, o presidente da Copel Distribuição, disse que estava ao lado de Zimmer nesta entrevista e que em nenhum momento ele teria falado em índices. “Em momento algum foi citado algum índice. Talvez os 30% foram especulados em função dos aumentos nos outros estados com índices próximos dessa ordem. Nesse momento, não temos qualquer índice”, afirmou. “Se fôssemos considerar apenas os custos da Copel o impacto na tarifa seria de apenas 1,5%. Isso se não tivesse que despachar a questão das usinas térmicas em razão da estiagem e se não tivesse novos leilões. Todo valor acima de 1,5% é atribuído ao modelo do setor que a senadora conhece e sabe como funciona. O aumento é definido pela Aneel e nunca pela Copel”, completou Dalefe.

O presidente do setor de distribuição da estatal informou ainda que a Aneel deve definir o índice de reajuste da tarifa da Copel no dia 17 de junho. “Existem cálculos e cada um pode fazer sua especulação, o fato é que a Copel não fez nenhum pedido de reajuste”, concluiu.

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