Da Redação

Por 20 votos favoráveis e quatro contrários, a Câmara de Curitiba aprovou nesta segunda-feira (9) a declaração de utilidade pública à Sociedade Espiritualista Cruzeiro das Almas, que fica localizada no bairro Xaxim. De iniciativa da vereadora Julieta Reis (DEM), o projeto teve oposição da bancada evangélica, incluindo Carla Pimentel (PSC) que se envolveu em uma polêmica no ano passado, quando se posicionou contrária à declaração de utilidade pública ao Centro Espírita Tribo do Caboclo Pena Branca.

carlapimentel

Foto: Divulgação CMC

Segundo o projeto, a entidade foi fundada em setembro de 2007 e é mantida pelo Terreiro de Umbanda Cruzeiro das Almas. Entre as principais ações sociais desenvolvidas, está o Projeto “Meu Amigo Carrinheiro”, que distribui lanches, donativos e cestas básicas – arrecadados nos encontros religiosos – para carrinheiros e moradores de rua.

“A Sociedade Cruzeiro das Almas realiza outras campanhas, como a do material escolar, que distribui de 50 a 70 kits por ano e do agasalho, durante os meses de maio, junho e julho. No ano passado, foram promovidas palestras com a comunidade, com os temas ‘Usuários de drogas e sua ocupação social’ e ‘Violência contra a mulher, questão de gênero”, disse Julieta Reis.

Nova polêmica

O vereador Chicarelli (PSDC) foi o único vereador a se abster da votação. Votaram contra a matéria, os vereadores Carla Pimentel e Rogério Campos, do PSC, Valdemir Soares (PRB) e Cacá Pereira (PSDC). Para Carla, o objeto da instituição beneficiada não especifica ação social e sim assistência espiritual, prejudicando o objetivo da proposta.

“Minha atividade parlamentar é, especialmente, pontuar aquilo que acredito. Existem segmentos que precisam ser representados e respeitados. Qual é a função da instituição e qual é o objeto para o qual foi criada? Ideologicamente, a Casa precisa de clareza nestas matérias. Precisamos revogar esta confusão de religião e ação social”, comentou a vereadora.

Carla Pimentel é autora de projeto de lei que proíbe a concessão de declarações de utilidade pública a entidades religiosas e sindicais. O texto, protocolado em outubro de 2014, tramita com substitutivo geral, de iniciativa da Comissão de Legislação, Justiça e Redação.  A situação ocorreu após se posicionar contra o projeto de utilidade pública ao Centro Espírita Tribo do Caboclo Pena Branca, de autoria do vereador Ademir Manfron (PP).

Com a aprovação do projeto de lei de Julieta Reis, a matéria retorna à pauta desta terça-feira (10) para debate em segundo turno. Se for acatada, seguirá para sanção do prefeito Gustavo Fruet.

Notícias Relacionadas:

Após polêmica com “centro de macumba”, vereadora propõe vedar utilidade pública a igrejas e sindicatos

Vereadora consegue barrar projeto que beneficiaria centro religioso alegando ser contra “macumba”