Da Redação

Uma semana após o vereador Felipe Braga Côrtes (PSDB) protocolar um pedido para que o embarque em todos os ônibus de Curitiba seja exclusivo com cartão transporte, começou a tramitar na Câmara Municipal nesta quarta-feira (13) um projeto que propõe exatamente o oposto. De acordo com a matéria, o projeto de lei pretende restringir aos micro-ônibus a exclusividade do cartão transporte, impedindo que a mudança atinja outros tipos de veículos.

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Foto: SMCS

A justificativa do projeto argumenta que o cobrador, que seria extinto caso a exclusividade fosse aprovada, não é responsável apenas por manusear o troco e validar o cartão transporte, mas possuí várias outras funções. “Fora isso, eles atuam no auxílio sobre trajeto e pontos de parada, acionam os equipamentos de elevador para portadores com deficiência e auxiliam o motorista no momento que ocorre o desembarque, para fechar as portas”, afirma.

“Estamos nos referindo a quase 3 mil trabalhadores que seriam desalocados no mercado de trabalho”, completa a justificativa.

Em entrevista à Banda B na semana passada, o presidente do Sindicato dos Motoristas e Cobradores de Curitiba e Região Metropolitana (Sindimoc), Anderson Teixeira, disse entender que a bilhetagem eletrônica é um avanço, mas que o sindicato não pode permitir que 6 mil cobradores sejam demitidos. “São seis mil pais de família e vamos defender a profissão de cobrador com todo o esforço. A bilhetagem exclusiva nos micros já deu vários problemas, agora imagine em todo o sistema numa emenda proposta por um vereador que não entende do sistema”, disse.

Exclusividade

Outra proposta em tramitação na Casa prevê a ampliação gradativa do uso exclusivo do cartão transporte para pagamento da tarifa. A ideia é que os cobradores passem por cursos de requalificação profissional, evitando a demissão dos profissionais. Já nos terminais e estações tubos é prevista a atuação de fiscais.

A matéria foi tema de debate pelo plenário nesta semana. Os vereadores concordaram que a questão precisa ser amplamente debatida, principalmente devido à eventual reinserção dos cobradores no mercado de trabalho.

Segundo o texto, a diminuição de custos operacionais permitiria a criação e operação de linhas de transporte coletivo que antes seriam economicamente inviáveis por atender um número menor de passageiros.

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