Jovens desaparecem após perseguição da Guarda Municipal e um deles é encontrado morto em rio 4 dias depois

Por Elizangela Jubanski e Antônio Nascimento

 

Gustavo Henrique de Azevedo Santos está desaparecido; Diego foi encontrado morto. Foto: Divulgação SESP. Montagem: Banda B

O corpo do jovem encontrado no rio Iguaçu no fim da tarde desta quinta-feira (16), próximo ao limite com Fazenda Rio Grande, foi identificado no Instituto Médico Legal (IML) de Curitiba. Diego Carolino Batista Correia tinha 20 anos e morava com a família no bairro Cajuru, em Curitiba. Ele estava desaparecido desde a noite de domingo, quando sumiu junto com o amigo Gustavo Henrique de Azevedo Santos, 23, também morador do bairro, que continua desaparecido. Ambos foram perseguidos pela Guarda Municipal (GM).

Gisele, irmã de Gustavo, quer mais informações. Foto: Banda B

Enquanto os familiares de Diego realizavam os trâmites para a liberação do corpo do jovem, a irmã de Gustavo também estava no IML em busca de mais informações. “As únicas informações que temos são essas que a Guarda contou – que eles passaram em alta velocidade por dentro do terminal do Sítio Cercado, fugiram, se perderam na rotatória e caíram dentro do rio. Eles contaram que quando o carro caiu, preferiram esperar porque estavam com medo de chegar perto do carro”, contou Gisele Cristina dos Santos.

Os dois sumiram na noite de domingo quando voltaram de um chá de fraldas, com um Ford Focus do primo do Gustavo. Eles deram carona para um casal de amigos e quando voltavam para casa foram perseguidos por uma viatura da Guarda Municipal, até perderem o controle do veículo e caírem com o carro no Ribeirão dos Padilhas, próximo a rua David Towes, no bairro Sítio Cercado.

No entanto, segundo familiares, quando uma equipe de socorro do Corpo de Bombeiros chegou ao local não encontrou ninguém dentro do carro. “Eles contam que os dois devem ter conseguido sair pela janela, mas as informações não batem porque os bombeiros disseram que a porta estava aberta quando eles chegaram. Tudo muito estranho, até mesmo essa história de eles passarem por dentro do terminal em alta velocidade, sendo que tem uma curva e uma rampa bem difíceis de passar”, desconfia a irmã.

Procurado pela polícia

De cordo com a Polícia Civil, Diego tinha um mandado de prisão em aberto por tráfico de drogas. As buscas pelo corpo dele começaram após moradores do Ganchinho informarem ter visto um homem afogado. Devido ao curso do rio, os bombeiros tiveram dificuldade em localizar o corpo, o que aconteceu cerca de três horas após o início das buscas. Gustavo ainda está desaparecido e a família desesperada.

Um amigo da família, Tiago Henrique, disse à Banda B que o carro estava com documentações atrasadas e ainda que Diego, encontrado morto, não tinha Carteira Nacional de Habilitação (CNH). “Era um carro emprestado, era do primo do Gustavo, e eles podem ter tido medo porque estava com a documentação atrasada, sem carteira. Pense perder o carro quando estava emprestado, acho que foi por isso que eles fugiram. E devem ter bebido, também”, acredita o amigo.

Em desespero, a mãe de Gustavo, Leni dos Santos, disse que foi intimidada pelos guardas. “O carro estava lá, os meninos sumiram e eles não viram nada? O que eles estavam fazendo lá? Os bombeiros falaram que não era possível se afogar ali, como que eles iam sumir ali, meu filho não é bandido. E quando eu perguntei para os guardas eles respondiam ‘então, o que a senhora acha, hein?’, falavam assim, me intimidando”, finalizou a mãe do jovem.

Versão da GM

O secretário de Defesa Civil de Curitiba Algacir Mikalovski conversou com a Banda B e relatou que o caso está sendo apurado pela Polícia Civil, mas que nenhum confronto ocorreu na situação. “Foi feito um acompanhamento tático em razão dessas pessoas terem passado no meio do terminal do Sítio Cercado, em alta velocidade. Na sequência, houve colisão e essas pessoas que estavam sendo acompanhadas se evadiram do local. Esse jovem encontrado morto era considerado foragido porque estava com a tornozeleira rompida desde o dia 16 de dezembro de 2016”, detalhou o secretário.

Ainda, no veículo, foi encontrado uma porção de maconha. “Isso, pode ter motivado a fuga. Não houve qualquer tipo de confronto policial, somente o acompanhamento tático. Mais detalhes estão sendo apurados pela Polícia Civil”, finaliza.

 

 

 









Notícias relacionadas

Os comentários estão fechados.