Greve de ônibus escancara que Curitiba precisa de novos meios de transporte coletivo, diz especialista

Por Felipe Ribeiro e Luiz Henrique de Oliveira

Foto: Arquivo ANPr

 

A greve de ônibus em Curitiba tem provocado transtornos para milhares de moradores da cidade. Alguns têm esperado horas no ponto de ônibus, para muitas vezes nem conseguir embarcar no veículo por causa da lotação. Já para quem opta pelo carro, a paciência precisa ser dobrada ao enfrentar congestionamentos, que tem sido recorde em todos os horários do dia. Para o especialista em trânsito na Universidade Tuiuti do Paraná, professor Mauro Ricardo Nascimento Martins, é possível perceber nitidamente, nesta segunda-feira (20), uma degradação no sistema de mobilidade da cidade.

“Apesar de a gente ter melhor um trânsito melhor que outras capitais, você vê nitidamente a degradação. A cidade cresceu, temos mais carros, mais cruzamentos e aquela ideia do modelo sobre pneus, eu considero ultrapassada hoje. Essa ideia é complementar. Em Curitiba hoje não temos um modal sobre trilhos, sendo que em uma cidade desse porte é absurdo”, disse Martins.

Ao longo das décadas, Curitiba chegou a ser conhecida mundialmente como referência em mobilidade urbana, principalmente após a implantação do sistema BRT no transporte coletivo. Mais recentemente, porém, a capital paranaense passou a figurar entre as cidades com maior número de carros por habitante. O metrô, por várias vezes já foi apontado como parte da solução, mas mesmo com anúncios, ainda não saiu do papel.

Segundo o professor Martins, o curitibano que depende do transporte coletivo hoje é refém do sistema de ônibus e é necessário pensar em outros modais com urgência. “Não dá para pensar uma cidade sem carros, mas não dá para pensar nela sem transporte coletivo. O transporte coletivo de qualidade é fomentador de negócios e de deslocamento. Não podemos ficar reféns de um sistema que, em caso de greve, faz uma pessoa sair 5h30 da Fazenda Rio Grande para chegar na hora ao trabalho, no Centro de Curitiba”, concluiu.

Martins ainda aponta ainda a falta de viadutos e túneis como fatores para o trânsito caótico que Curitiba passou a enfrentar.

Longas demoras

Desde o início da greve, na quarta-feira (15), Curitiba tem enfrentado trajetos bastante demorados. O analista químico Eduardo de Ataíde lamentou a frota menor de ônibus, que tem causado muitos problemas para todo mundo que, de alguma forma, depende do trânsito. “Hoje é impossível encontrar um lugar sem engarrafamento, isso em qualquer hora”, disse.

A supervisora de logística Camila Gonçalves Pedro compartilha da opinião e diz que percebeu um aumento expressivo no número de pessoas chegando atrasadas a empresa. “Essa greve está afetando demais, não percebi pessoas faltando, mas muita gente está chegando atrasada. O trânsito está um caos, muita gente trocou o ônibus pelo carro por medo de ficar parado”, comentou.

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