Reunião no TRT hoje deve começar sem acordo entre patrões e empregados; ônibus circulam com frota mínima

Por Felipe Ribeiro, Denise Mello e Djalma Malaquias

Foto: Daniela Sevieri – Banda B

 

A reunião na sede do Tribunal Regional do Trabalho (TRT) marcada para esta terça-feira, às 14h30, deve começar sem acordo prévio entre trabalhadores do transporte coletivo e o sindicato patronal. Ao encerrar a última reunião na sexta-feira (17),  a desembargadora Marlene Suguimatsu havia dito que o índice solicitado pelos trabalhadores estava muito distante do que vem sendo acertado por outras categorias e pediu às partes que houvesse um acordo prévio antes do próximo encontro. Ontem (20), o Sindimoc (Sindicato dos Motoristas e Cobradores)  reduziu o pedido de reajuste salarial de 15% para 10% e o valor do vale-alimentação de R$ 977 para R$ 700. Além disso, também incluíram um abono salarial de R$ 450. Porém, até às 11 horas desta terça-feira, segundo o Sindimoc, as empresas não apresentaram uma contraproposta.  Caso não haja acordo, o dissídio irá para julgamento no Tribunal Regional do Trabalho no Paraná (TRT-PR).

O Setransp (Sindicato das Empresas de ônibus) confirmou que foi notificado da nova proposta e disse apenas que iria apresentá-la à Urbs e Comec, que administram o sistema de Curitiba e da região metropolitana. Porém, o sindicato patronal informou, de antemão, que a proposta está “fora da realidade econômica do país”. Por enquanto, a proposta mantida é de 5,43% de reajuste, conforme o índice de inflação do período.

Na reunião do TRT também devem participar representantes da Urbanização de Curitiba (Urbs) e Coordenação da Região Metropolitana (Comec) para tentativa de acordo relativo ao dissídio salarial.

Frota mínima

Com expectativa de que seja o último, moradores de Curitiba e região metropolitana encaram nesta terça-feira (21) o sétimo dia de greve de ônibus. De acordo com a Urbs, às 6h30 havia uma frota de 35% em circulação, abaixo dos 50% previstos no horário de pico pela Justiça. Uma hora depois, às 7h30, frota passou a 47,8%. Este índice se manteve durante a manhã.

Em entrevista à Banda B, o presidente do Sindimoc, Anderson Teixeira, na manhã desta terça-feira, negou que a categoria não esteja respeitando a frota mínima como aponta a Urbs. “A Urbs cuida do transporte de Curitiba e nós atuamos em todo sistema também na Região Metropolitana. Diante disso, os números de frota mínima pode ser divergente. Estamos com trabalhadores à disposição nas empresas. Se há menos veículos do que foi estabelecido circulando é porque empresas e Urbs estão liberando menos. Nós estamos cumprindo o que a Justiça determinou”, afirmou.

Divergência da frota

Sobre a frota mínima durante a greve, o Sindicato das Empresas de Ônibus de Curitiba e Região Metropolitana (Setransp) informou, por meio de nota, que há uma divergência entre a frota programada da Urbs e o entendimento do Sindimoc. A nota diz:

“1. Existe uma divergência entre a determinação de frota mínima programada pela Urbanização de Curitiba (Urbs) e o entendimento do Sindicato dos Motoristas e Cobradores de Ônibus de Curitiba e Região Metropolitana (Sindimoc);

2. Em um dia normal, em horário de pico, a determinação da Urbs prevê a operação com 1.274 veículos. Durante a greve, como pode ser observado em seu site, a Urbs determinou uma frota mínima para o horário de pico da manhã de 727 veículos (57,06%), a fim de atender a decisão judicial;

3. Já o Sindimoc entende que, para cumprir a decisão judicial, que é de 50% nesse horário, deveriam ser disponibilizados 637 veículos, ou seja, a metade dos 1.274 carros de um dia normal;

4. Essa discrepância de entendimento entre Urbs e Sindimoc pode levar a uma distorção no cumprimento da operação com frota mínima.”

Audiência de sexta-feira

Após a última audiência na sexta-feira, o presidente do Sindimoc, Anderson Teixeira, lamentou a falta de uma contraproposta por parte dos empresários e afirmou que motoristas e cobradores seguirão cumprindo a frota mínima. “Não está sendo uma negociação fácil, mas precisamos nos manter firmes com a greve. Esperávamos uma sensibilidade hoje, mas infelizmente após um exaustivo debate sobre planilhas, não chegamos a um acordo”, disse.

Por sua vez, o presidente do Sindicato das Empresas (Setransp), Maurício Gulim, avaliou a negociação como bastante complicada, mas afirmou que a solução está sendo buscada. “Por três vezes colocamos nossas propostas e o Sindimoc nunca moveu 1% a deles. Precisamos saber qual a realidade do pedido deles para que, com o poder público, possamos chegar e solucionar o problema”, afirmou.

Hoje, Teixeira afirmou também que três empresas não pagaram de forma integral o vale salarial previsto para esta segunda-feira (20), mas os trabalhadores destas empresas vão continuar cumprindo a frota mínima. “Conversamos e explicamos a estes trabalhadores que não receberam o vale que, caso eles parassem de forma total, isso iria prejudicar toda a categoria neste momento de negociação. Vamos aguardar um desfecho”, afirmou o presidente do Sindimoc.

A audiência de conciliação no TRT-PR está marcada para começar 14h30 desta terça. A Banda B irá acompanhar toda a movimentação e possível assembleia, se ocorrer, na sequência.









Notícias relacionadas

Os comentários estão fechados.