(Foto: Reprodução BBC Brasil)

 

“Eu quero ser uma garota na minha família, mas não tenho escolha. Tenho que ajudar meu pai idoso, minha mãe está fraca e somos cinco irmãs”, diz a afegã Sitara Wafadar, de 18 anos, que há mais de uma década é obrigada a se disfarçar de menino para poder trabalhar fora de casa “de forma segura” e exercer outras atividades normalmente desempenhadas por homens – e proibidas para mulheres no país.

Sitara vive sob a tradição conhecida como “Bacha Posh” – que significa garota “vestida como menino”. Por razões sociais e econômicas, ela foi forçada pelos pais a ser o “filho” que eles nunca tiveram.
“Desde que nasci, visto roupas de menino e trabalho com meu pai em uma fábrica de tijolos. Fui forçada a isso”, diz a jovem.

Normalmente, aos 17 ou 18 anos as jovens voltam a assumir sua identidade feminina, mas essa mudança não é simples e para Sitara ainda é incerta.

A adolescente diz que continuará trabalhando com o pai, principalmente para evitar que sua irmã mais nova enfrente o mesmo destino. Mas não é só isso, como explica Fatima, sua mãe: “Não tenho outra opção a não ser pedir a Sitara para trazer comida, me levar ao médico e fazer outros tipos de trabalho, já que meu marido está velho”, diz. “Gostaria que ela pudesse usar roupas femininas e ficar em casa, mas não tenho outra opção, eu também estou doente”.

A tradição, profundamente arraigada no Afeganistão, divide opiniões.

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