Redação

dona-floraEscritora faleceu aos 103 anos. Foto: Academia Paranaense

A viúva do ex-governador do Paraná, Bento Munhoz da Rocha, faleceu neste domingo (16) aos 103 anos. A escritora Flora Munhoz da Rocha era filha de Affonso Alves de Camargo, que presidiu o Estado de 1916-1920, e pertencia à Academia Paranaense de Letras. Ela ocupava a cadeira número 10. Flora faleceu em casa e está sendo velada na capela do Vaticano, ao lado do cemitério municipal de Curitiba. O sepultamento está programado para as 14 horas desta segunda-feira (17).

Biografia

Nasceu em Curitiba, no dia 23 de setembro de 1911, filha de Etelvina Rebelo de Camargo e de Affonso Alves de Camargo. Aos sete anos iniciou os estudos no internato do Colégio Cajuru, quando seu pai era Presidente do Estado do Paraná. Terminado o mandato, Affonso foi eleito Senador, o que levou a família para o Rio de Janeiro. Na então capital federal, Flora estudou no Internato do Colégio Sacré-Coeur de Jesus, até às vésperas de seu casamento, aos 17 anos, com Bento Munhoz da Rocha Netto.

Filha e nora de presidentes do Estado, veio a se tornar também esposa de governador, em 1951. Suas novas atribuições permitiram que realizasse obra admirável no campo social, com a criação no estado da Legião Brasileira de Assistência. Implantou 40 postos de puericultura nas cidades do interior e a Creche Branca de Neve, para crianças de Curitiba, estendendo o atendimento aos bairros. Fundou, também na capital, a Cidade dos Meninos, para abrigar até 300 adolescentes, sob orientação pedagógica de padres especializados em recuperação e ensino profissionalizante. Teve o privilégio de tornar realidade o que sonhara em seus poemas.

Mãe de cinco filhos (Caetano, Mitzy, Daisy, Sandra e Suzana, que lhe deram 17 netos, 30 bisnetos e três trinetos), nunca interrompeu suas atividades como escritora. Foi, por muitos anos, colaboradora semanal da Gazeta do Povo, do Jornal da Imprensa, do Rio de Janeiro, e da extinta revista O Cruzeiro. Seu conto Elisa teve os direitos comprados pela Rede Globo, que o adaptou para o programa “Você decide”. Seu poema Canção Nupcial foi musicado pelo maestro Eleazar de Carvalho, apresentado em récita de gala pela Orquestra Sinfônica do Rio de Janeiro, com a soprano Lia Salgado. Publicou Apontamentos (1954, crônicas); Crônicas de Domingo (1956); Três menos Um (1956, peça teatral); O Armazém de Seu Frederico (1973, contos); Domingo a Gente se Fala (1975, crônicas); Ida e Volta (1976, flagrantes de viagens); A Beleza de Ser Criança (1977); O Sofá Azul (1980); Bento Munhoz da Rocha Netto e A Imagem que Ficou (1985); Quadros sem Molduras (1986); Entre sem Bater Memórias (1998).

Recebeu inúmeras condecorações, destacando-se, em 1956, a Lateraeclésia (Vaticano) e, em 1978, o título de Vulto Emérito, pela Câmara Municipal de Curitiba. Fundadora da fundação da Academia Feminina de Letras do Paraná, exerceu sua vicepresidência durante a primeira gestão. É membro da Associação de Jornalistas e Escritores do Brasil, do Centro Paranaense Feminino de Cultura, do Instituto Histórico e Geográfico do Paraná, do Centro de Letras do Paraná, da Academia de Letras José de Alencar e da União Cívica Paranaense. Tomou posse na APL em 23 de setembro de 2008, no Graciosa Country Club, saudada por Chloris Casagrande Justen. (EB)