Seis dias depois do início da greve, o Sindicato dos Vigilantes de Curitiba e Região Metropolitana vai entrar com pedido de dissídio coletivo na Procuradoria Regional do Trabalho. Sem proposta, a Justiça é a maneira encontrada pelos vigilantes para resolver o impasse com os patrões. Em entrevista à Banda B, nesta quarta-feira (6), João Soares, presidente do Sindicato, afirmou que o documento será enviado na tarde hoje aos procuradores.

“Esperamos entregar o dissídio esta tarde para conversar com o presidente do Tribunal e marcar já para amanhã uma audiência, porque a população já está sofrendo por conta desta greve, por exemplo, com a falta de dinheiro em caixas eletrônicos”, iniciou. Ainda de acordo com Soares, nas próximas horas tudo pode acontecer. “Estamos afunilando por conta da ida à justiça e vamos aguardar uma proposta em audiência no Tribunal Regional do Trabalho”, complementou.

Soares criticou uma suposta declaração dos patrões em uma reunião para solucionar o impasse. “Os empresários deixaram claro isso, dizendo que a classe média não usa banco e por isto não estão nem ai para o que está acontecendo. É uma falta de respeito, porque para eles só tem valor quem é a da classe média para cima”, concluiu o sindicalista.

A greve

A greve dos vigilantes continuou nesta quarta-feira (6) em Curitiba e região metropolitana. Com isso, assim como ontem, a maioria das agências bancárias permaneceram fechadas para atendimento externo hoje. No interior, a greve foi encerrada ainda na noite de sexta. Vigilantes de sete dos oito sindicatos que representam a categoria no Paraná decidiram, em assembleia, suspender a paralisação. Os vigilantes da capital e região metropolitana, porém, correspondem a 60% do efetivo no Estado.

“Os trabalhadores do interior aceitaram a proposta construída pela DRT (Delegacia Regional do Trabalho) na sexta-feira. O empresariado concordou, levamos para as assembleias, mas a capital não aprovou”, disse o presidente da Federação dos Vigilantes do Paraná e do Sindicato dos Vigilantes de Curitiba, João Soares.

Pelo acordo, os vigilantes receberão o adicional de periculosidade de 30%, principal reivindicação da greve, e mais 6,4% de reajuste, correspondente ao Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC). Esse valor, no entanto, será pago em três parcelas – a primeira em fevereiro, a segunda em junho e a última em outubro.

“Curitiba quer o INPC numa parcela só, um aumento real e mais o vale-alimentação de R$20 (o atual é de R$ 15,50). Aqui a greve continua e o sistema financeiro segue parado caso não surja outra proposta”, afirmou Soares.Segundo o sindicato, o Estado possui 26 mil vigilantes, sendo 12 mil em Curitiba.