Da SMCS

A Urbs vai entrar na Justiça para obter os elementos necessários para abertura de licitação da manutenção e aprimoramento do Sistema de Bilhetagem Eletrônica (SBE) utilizado nas operações do transporte coletivo. Apesar disso, a Urbs continua as negociações com o Instituto Curitiba Informática (ICI) visando, especialmente, a celebração de um contrato emergencial até que seja possível realizar a licitação dos serviços.

bilhetagem-160913-bandabCom a iminência do término dos contratos entre a Urbs e o ICI, bem como entre as empresas do transporte coletivo e a Dataprom, a Urbs vinha tentando intermediar um acordo para a cessão do código fonte do SBE.

A intenção da Urbs é que o código seja utilizado única e exclusivamente para manutenção e aprimoramento da Bilhetagem Eletrônica do transporte coletivo de Curitiba, sem fins comerciais. Com a recente recusa da Dataprom, a medida judicial foi considerada indispensável para não colocar em risco as operações do transporte coletivo, que é considerado um serviço público essencial.

A futura licitação permitirá que outras empresas se candidatem para fazer a manutenção do software e a implantação de novas funcionalidades que permitiriam, por exemplo, a adoção de tarifas diferenciadas fora do pico, desconcentrando a demanda, e o pagamento da domingueira com cartão, no preço especial de domingo.

Até aqui, nenhuma alteração no sistema pode ser feita sem a participação ou anuência da Dataprom. “O código fonte é fundamental para o poder público ter condições de licitar a manutenção e o aprimoramento da bilhetagem eletrônica”, explica o presidente da Urbs, Roberto Gregorio da Silva Junior. A alternativa de licitar um novo sistema significaria desperdiçar vários anos e vultosos recursos já aplicados pelo município, além de não amortizar totalmente os investimentos já realizados no atual sistema.

Responsável pelo controle operacional, fiscalização e controle financeiro do sistema de transporte coletivo, o SBE é considerado um dos melhores do País. A implantação da etapa atual (Val 6) do sistema foi contratada pela Urbs ao ICI, que contratou os serviços da Dataprom.

O contrato da Urbs com o ICI, que se encerra no próximo dia 19, custou R$ 32 milhões e incluiu o desenvolvimento e manutenção de software e implantação de equipamentos – nobreak, validadores e catracas com controle eletrônicos.

Sistema

A primeira etapa do sistema de bilhetagem eletrônica começou a ser desenvolvida em 2004, o que permitiu a substituição dos antigos vales transporte de níquel e papel pelo cartão transporte. Os primeiros usuários a usar cartão transporte, em 2004, foram os idosos o que permitiu, já nessa fase inicial, o cadastramento de isentos. Atualmente, quase 250 mil idosos e 16 mil pessoas com deficiência têm cadastro na Urbs e utilizam o cartão transporte de isento.

A etapa atual foi concluída no ano passado com a instalação, pela Urbs, de GPS, computadores de bordo e dispositivos eletrônicos em todos os ônibus da Rede Integrada de Transporte (urbanos e metropolitanos) e a interligação com o Centro de Controle Operacional. Isso permitiu o monitoramento on line da frota e comunicação em tempo real do motorista do ônibus com os centros operacionais da Urbs e das empresas de ônibus. Assim, um aviso de problema mecânico, por exemplo, que necessite a substituição do ônibus, chega ao mesmo tempo à Urbs, a quem cabe a autorização para a troca, e à garagem responsável pelo envio de outro veículo.

O SBE permite, entre outras funcionalidades, o controle da frota (quantos ônibus estão efetivamente rodando, por exemplo), controle de horários, velocidade desenvolvida, número de passageiros pagantes e isentos, controle do crédito transporte, entrada de recursos da tarifa e pagamento às empresas.

Relatórios diários identificam onde o usuário utilizou o cartão transporte, em que data e horário e em que ônibus, terminal ou estação tubo. Quando um usuário compra créditos transporte, por exemplo, o sistema registra todos os movimentos, como num extrato bancário. Quando o cidadão compra créditos, o extrato vai registrando, um a um, cada crédito utilizado.

Além de contar com o espelho do CCO em que podem monitorar sua frota e comunicação com motoristas, as empresas operadoras têm as mesmas informações registradas na Urbs sobre o número de passageiros que passaram na catraca, quantos pagaram em dinheiro, quantos pagaram com o cartão e quantos são isentos. Essas informações ficam registradas no cartão do cobrador e em documento impresso automaticamente na garagem, no momento em que ele encerra o expediente, o que significa três extratos por dia, uma vez que os cobradores em Curitiba fazem jornada de seis horas.

Com base nessas informações, o sistema também calcula os valores a serem pagos às empresas e emite relatórios de controle financeiro e de movimentação do Fundo de Urbanização de Curitiba.

Outra das funcionalidades do sistema é o controle de venda e uso do crédito transporte – com a emissão de relatórios gerenciais, por exemplo, em que é verificado o número de créditos utilizados a cada dia – e extratos diários dos créditos utilizados e comprados, com saldo atualizado. O extrato indica dia, horário e local onde cada crédito é utilizado.