Trechos de mais uma gravação telefônica que integra o inquérito da médica Virgínia Soares de Souza, acusada de desligar aparelhos da Unidade de Tratamento Intensiva (UTI), foram disponibilizadas pela Justiça à imprensa. Na noite deste sábado (2) o Jornal Nacional divulgou uma conversa entre ela e outros dois funcionários do Hospital Evangélico. A médica está presa desde o dia 19 de fevereiro e nega as acusações.

Virgínia: “… pelo amor de Deus, têm alguns doentes que estão mortos, então, vai desligando as coisas, que não tem sentido.”
Funcionária: “Ah não! Eu desliguei!”
Virgínia: “Oi?”
Funcionária: “Eu desliguei pra ela, ela estava no telefone com a doutora dela, ela me pediu”.
Virgínia: “E o próximo que nós vamos desligar é o Ivo”.
Funcionária: “Só esperar a família?”
Virgínia: “Acho que já, a mulher é de muito longe, né? Mas, pelo visto eles já sabem, porque parte da família foi falada.”
Funcionária: “Uhum”
Virgínia: “Eles são muito ruins, a gente não tem o que fazer”.

Um dia depois, a médica Virgínia conversa com um médico de plantão novamente sobre o paciente Ivo e também sobre o pedido de um homem chamado de Kampa.

Virgínia: “O Kampa pediu o que eu podia disponibilizar. Eu falei, tudo bem, amanhã ainda consigo mais dois né, porque eu não fui com o Ivo porque eu fui com dois hoje de manhã”
Médico: “Ah, eu já tô indo com o Ivo”
Virgínia: “Ótimo”
Médico: “Não gostei dele”
Virgínia: “Não, coitadinho, pelo amor de Deus, né?. É que eu fui com dois hoje de manhã então se eu fosse com o Ivo, né, ficaria feio. Então, ou ia você ou eu amanhã, mas até me alivia se for hoje”
Médico: “Hum…hummm. É o Vagner que tá…tava o Vagner, a Laís, poucos funcionários já.
Virgínia: “Uhum…”
Médico: “Já, já”
Virgínia: “Já vai o Ivo e o Sérgio eu dou alta amanhã. Então na previsão eu abro oito vagas”
Médico: “Uhum”.

De acordo com o Jornal Nacional, uma pessoa com o nome Ivo, 67 anos, entrou para os falecimentos da Prefeitura no dia 29 de janeiro. Ele estava internado no Hospital Evangélico.