A luta para conservar o solo tem uma trajetória de sucesso no Paraná. Foram muitas as etapas vencidas pelo Instituto Agronômico do Paraná (Iapar), desde o seu início, em meados dos anos 1970. Primeiro, o controle da erosão, a construção das curvas de nível que estancaram as voçorocas.

Antes de chegar ao consagrado sistema de plantio direto (SPD), foram recomendadas práticas de preparo mínimo, cobertura vegetal e outras. Entre os esforços para convencer o agricultor, destaca-se o “simulador de chuvas”, útil para mostrar o princípio da erosão: o impacto das gotas de chuvas sobre a terra nua.

Os técnicos do Iapar souberam usar conhecimento científico e didática com os agricultores para manter a riqueza depositada na camada superior do solo, que é a matéria orgânica. O conhecimento do solo, a criação e adaptação de máquinas e, ainda, a indicação de espécies de gramíneas ou leguminosas para cobertura verde foram determinantes nesse processo.

SOLO E ÁGUA – A ênfase, agora, é sobre a semeadura direta e sua relação com a conservação do solo e água. Conforme observam os pesquisadores Osmar Conte, Anderson de Toledo e Graziela Barbosa, a consolidação do sistema de plantio direto como técnica conservacionista permitiu à agricultura brasileira avançar na conservação do solo e dos sistemas de produção.

A semeadura direta, obtida por meio de semeadoras-adubadoras, passou a ser a operação que provoca maior revolvimento do solo, na linha de semeadura. Essas máquinas possuem regulagens que podem proporcionar maior ou menor mobilização na linha. Um dos fatores que mais influenciam nesta mobilização é o uso de hastes sulcadoras ou de mecanismos análogos, os discos duplos, que têm a finalidade de posicionar fertilizantes ao solo, similares aos que atuam na deposição das sementes.

AEN
Iapar mostra no Show Rural, em Cascavel, técnicas de uso correto da haste sulcadora no sistema de plantio direto

O que determinará a regulagem desses mecanismos é basicamente a condição física do solo, ou seja, o grau de compactação advindo do manejo adotado, tipo de uso do solo, operações demandadas pelas culturas. Quando a área é bem manejada, com boa quantidade de palha na superfície do solo; quando tem boa rotação de culturas e adequada umidade para operações mecanizadas, então o plantio pode ser feito com uma semeadora configurada para reduzir a mobilização de solo, usando mecanismos menos agressivos, como os discos duplos. Esta medida pode trazer benefícios à operação e redução de custos ao produtor.

Caso o solo não apresente condições físicas adequadas para a semeadura – por exemplo, o aumento da resistência à penetração das raízes – pode ser o momento de utilizar mecanismo do tipo haste sulcadora.

Show Rural – Durante o Show Rural, que acontece em Cascavel, a unidade de manejo e conservação do solo do Iapar irá demonstrar a semeadura de soja e milho em área de sistema de plantio direto, realizada com semeadora-adubadora equipada em três configurações: com haste sulcadora em duas profundidades e com mecanismos de discos duplos desencontrados.

Os visitantes poderão observar na prática os efeitos da mobilização do solo diante do uso de diferentes mecanismos e comparar a quantidade de solo exposto, a incidência de plantas daninhas, porcentagem de palha na superfície do solo, resultante do manejo das culturas anteriores e sua relação direta com a conservação do solo e da água.