Redação com Estadão e AFP

 AFP PHOTO / John MACDOUGALL

A polícia de Berlim afirmou nesta terça-feira (20) que o número de pessoas mortas no ataque com caminhão em um mercado de natal na capital alemã subiu para 12 e que outras 50 pessoas ficaram feridas. Ainda não há informações sobre se se trata de um ataque terrorista semelhante ao que aconteceu em Nice (França) há um ano e meio.

Nesta segunda-feira, a polícia alemã pediu que a população permaneça em casa, após um caminhão de forma “deliberada” invadir um mercado de Natal em Berlim, à oeste da Alemanha, o Breitscheidplatz.

Os mercados de Natal são uma tradição em toda a Europa e atraem milhares de turistas todos os anos em vários países. Em Londres, há mais de 20 grandes eventos desse tipo espalhados por toda a cidade.

Assim como ocorreu em Nice, na França, há pouco mais de um ano, um caminhão invadiu um local lotado, atropelando pessoas e barracas.

Entres os mortos estava um passageiro do caminhão, que faleceu enquanto era atendido por paramédicos, segundo o porta-voz da polícia de Berlim, Winfried Wenzel. A polícia disse mais tarde que o homem era polonês, mas não deu detalhes sobre quem ele era ou o que aconteceu a ele.

Um suspeito de ser o condutor do ataque foi levado para cerca de dois quilômetros de distância do local do incidente e foi interrogado, de acordo com Wenzel. O caminhão foi registrado na Polônia e a polícia disse que acredita que ele pode ter roubado o caminhão de uma construção nas comunidades.

O proprietário polonês do caminhão disse que temia que o veículo, que estava sendo conduzido por seu primo, talvez pudesse ter sido sequestrado. Ariel Zurawski disse que a última vez que falou com o motorista foi por volta da tarde desta segunda-feira, e ele teria dito que estava em Berlim e que deveria descarregar o caminhão na manhã desta terça-feira. “Eles devem ter feito alguma coisa com o meu motorista”, disse o polonês à TVN24.

Alta tensão

O mercado natalino atingido pelo caminhão, que partiu para cima de transeuntes e rolou sobre a calçada, fica no centro da capital, a dois passos da Gedächtniskirche – a Igreja da Lembrança, uma das principais atrações turísticas berlinenses – e de uma movimentada avenida de comércio, a Kurfürstendamm.

No local, um turista entrevistado pela AFP disse não saber se o motorista “estava bêbado”, ou se ele lançou o caminhão de forma deliberada, “mas ele não procurou parar, ele simplesmente continuou”.

O clima era de alta tensão agora à noite, com um forte dispositivo policial mobilizado em todo o bairro.

Ambulâncias, veículos da Cruz Vermelha, dos bombeiros, entre outros, continuavam a chegar ao local pouco antes das 22h locais (19h, horário de Brasília).

Em julho passado, em Nice, um tunisiano investiu seu caminhão contra uma multidão no Passeio dos Ingleses. Esse atentado deixou 86 mortos e mais de 400 feridos e foi reivindicado pelo grupo Estado Islâmico (EI). O agressor foi morto pela Polícia.

Até agora, a Alemanha havia sido poupada do ataques extremistas de ampla envergadura, mas vários atentados islâmicos foram cometidos, recentemente, por “lobos solitários”.

Em julho, o EI assumiu a autoria de um atentado cometido por um sírio de 27 anos, que deixou 15 feridos, e de um ataque lançado por um demandante de asilo, provavelmente de origem afegã, de 17 anos, que deixou cinco feridos.

Em outubro, um sírio se suicidou na prisão após ser detido. Segundo os investigadores, ele se preparava para lançar um ataque contra um aeroporto de Berlim.