A prefeitura de Curitiba e o Ministério Público do Estado do Paraná (MP-PR) vão investigar qual foi a conduta adotada pelo Hospital São Vicente ao negar atendimento ao ex-prefeito Saul Raiz, 83 anos, que chegou ao hospital baleado após uma tentativa de assalto no sábado à tarde. Raiz chegou no hospital, localizado na rua Vicente Machado, dirigindo o seu próprio carro. A partir daí, há duas versões do que teria ocorrido.

A direção do hospital afirma que ele sequer foi retirado do carro e um médico teria orientado que o ex-prefeito fosse encaminhado até o Pronto-Socorro do Hospital Evangélico, preparado para atender esse tipo de ocorrência.

Já o manobrista do estacionamento do hospital, Gerson de Lima, disse em entrevista exibida pela Revista RPC, que colocou o ferido na cadeira de rodas e o levou para a entrada do hospital. Lima conta que os atendentes do hospital, ao verem Raiz, falaram que não tinham como atender aquela situação. “Nem colocaram a mão nele. Nenhum médico olhou”, conta Lima. Ele colocou luvas cirúrgicas, levou Raiz baleado de volta para o carro e o conduziu até o Evangélico.

O ex-prefeito está na UTI e seu quadro de saúde é estável. Segundo os médicos, ele não corre risco de morte. De acordo com a família, Raiz confirmou que teria sido levado de cadeira de rodas até o interior do hospital e voltado para o carro até ir ao Evangélico.

O assalto

Raiz estava dentro de sua caminhonete, diante de uma obra que está construindo, na rua Visconde de Nácar, quando começou a arrancar com o carro e ouviu um grito de “Pare”. Mesmo assim, ele resolveu continuar e foi baleado com três tiros. As balas atingiram o ombro e uma das mãos. Mesmo baleado, ele conseguiu dirigir até o Hospital São Vicente.

Outro lado

Em nota, a direção do Hospital São Vicente negou que tenha havido omissão de socorro e negou também que ele tenha sido retirado do carro. Segue a nota na íntegra:

“1. Neste sábado (16) por volta das 17h, dirigiu-se espontaneamente ao Hospital São Vicente o senhor Saul Raiz dirigindo seu próprio carro e se encaminhou a Unidade de Pronto Atendimento.

2. Foi verificado que se tratava de ferimento por arma de fogo e a exigência imediata de encaminhamento para Pronto Socorro.

3. Esclarecemos que o Hospital São Vicente não tem serviço de Pronto Socorro, unidade especializada que exige estrutura adequada para diagnóstico e terapêutica imediata (plantão cirúrgico, anestesiologistas e equipe multidisciplinar para complemento de diagnóstico in loco).

4. O atendimento sem as condições necessárias existentes em um Pronto Socorro, pode se constituir em crime de responsabilidade.

5. Cabe esclarecer que o encaminhamento ao Pronto Socorro foi sugerido e a condução foi efetuada por um membro do estacionamento do Hospital (não se trata de funcionário do Hospital), conduta adequada e elogiável.

6. O Hospital São Vicente não dispõe de ambulâncias. E qualquer atraso no encaminhamento deste paciente poderia representar um alto risco.”, encerra a nota.