O terrorismo sempre mostrou que não escolhe vítimas. Atira preferencialmente para o lado onde tem mais gente. Quanto mais acertar, melhor. Quanto mais mortos, melhor. Assim, o barulho que desejam, terá o efeito desejado.

Sabe-se lá os valores, as justificativas, os credos, religiões ou interesses políticos que geralmente estão acima da vida destas criaturas que se prestam a isso, matando e as vezes se matando. Parece que nestas mentes não há nada maior do que aquilo que acreditam ser a verdade absoluta. Como kamikazes, se enchem de razão e simplesmente fazem.

Mais uma vez escolheram o esporte como alvo. A primeira foi nas Olimpíadas de Munique, em 1972.

Os irmãos malucos de Boston, não devem conhecer as razões que movem esta gente que se presta a uma maratona. Além das três vidas que levaram com as explosões, nada na cabeça destes malucos justifica o tamanho da ferida que provocaram. Além das mortes e dos ferimentos físicos, também impediram que perto de 4 mil pessoas concluíssem a prova. E isso com certeza eles não sabem o que é. Aos que completaram os 42 mil e 125 metros da Maratona de Boston, ficou uma medalha manchada, suja pela violência. O que deveria ser o símbolo de superação, da vitória sobre desafios pessoais, superação de limites, competir consigo mesmo… fica marcado pela violência e isso jamais será apagado da memória de todos que estiveram lá – atletas, famílias e organizadores.

Estes malucos não só tiraram a vida de três pessoas, mas impediram a vitória de milhares de pessoas que por alguma razão, geralmente por questões pessoais, decidiram enfrentar o desfio de correr uma maratona.

Estes dois malucos provavelmente também não sabiam que além de matar, também desrespeitaram 34 mil atletas e seus familiares. Transformaram sonhos em pesadelos. Apontaram para o alvo errado mais uma vez e conseguiram apenas dizer o que já sabemos: que qualquer forma de manifestação violenta é errada e precisa ser condenada.

A violência contra o indefeso ganha tom de covardia. Como foi covarde tirar a vida do menino Martin Richard, de 8 anos, morto pelas explosões em Boston. Pra mim, o maior símbolo desta violência.

A medalha de participação na Maratona de Boston, entregue a todos que concluem uma maratona, tradição nas provas de corridas longas e curtas pelo mundo todo, orgulho de todo maratonista, já ficou como lembrança de muita coisa, menos de vitória.